Marketing porta-a-porta
Esta tarde, ao chegar a casa, um postal com a capa do novo romance (ou «quase romance») de Miguel Sousa Tavares, que chega às livrarias amanhã, estava preso junto às campainhas, no lugar habitualmente ocupado por cartões de electricistas, mestres de obras eslavos, explicadores de matemática do 9.º ano, bruxos senegaleses e desentupidores de canos com serviços de urgência.
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9 Responses to “Marketing porta-a-porta”
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Tenho pena que não consigas ver na iniciativa uma forma diferente de informar os leitores que o livro ia ser editado. Há quem o faça nos autocarros, há quem o faça nas casa de banho dos centros comerciais. Infelizmente o teu tom é jucoso. É uma forma diferente de fazer marketing mas não me parece, ao contrário do que o teu post sugere, que seja desmerecedora.
Por lapso escrevi jucoso quando é jocoso. As minhas desculpas pela gralha.
Enganas-te, Inês. O comentário não era jocoso, mas sim factual. Acho que é evidente que prefiro publicidade a livros do que a bruxos senegaleses. Não creio que fosse necessário sublinhá-lo.
Eu pessoalmente detesto publicidade em papelinhos porta-a-porta, seja a bruxos ou livros. parece-me um desperdício de papel e a maioria vai parar ao chão… o papel é um bem precioso, devia começar a ser visto como tal, não? Espero que não comece para aí uma onda de Dicas da Semana em versão cultural!
Quando A Oficina do Livro surgiu confesso que adorei o slogan “É bom trabalhar nas obras”. E sem querer desmerecer o trabalho de ninguém – nem o dos escritores, nem o dos electricistas e outros que tais – acho fantástica esta ideia de um postal a anunciar o lançamento de um livro se misturar com o bilhete da senhora da limpeza e do canalizador. Admiro muito alguns dos escritos (e das ideias naturalmente) do WBenjamin. E uma das perspectivas críticas que dele retenho sobre a arte na era da sua reprodução técnica é sobre a “arte pela arte”, a de um endeusamento dos artistas e das suas criações, desprovidas de outros fins que não a auto-contemplação, o auto-elogio… Tal como à Inês tb me parece que o teu comentário é crítico relativamente a esta opção de marketing. É um direito de cada um e uma democracia funciona sempre melhor quando há discordância e discussão em torno dela. Esta opção de marketing tem, quanto a mim, desde já o grande mérito de fazer pensar sobre/questionar a natureza do trabalho dos artistas e o estatuto das suas obras. Claro está, se não nos levarmos demasiado a sério.
Este tipo de publicidade está, infelizmente ao nível de Sousa Tavares, que se está a tornar uma espécie de M Rebelo Pinto maculina…
Tanto preconceito… fala-se, fala-se e fala-se ainda da importância de se ler, da democratização da cultura que urge, e depois, na hora em que alguém ousa algo diferente, lá vem as castas todas abespinhadas na defesa de uns certos ritos, fora dos quais a cultura supostamente não existe… deixem os livros descer às ruas, insinuarem-se nas caixas de correio, piscarem os olhos nos autocarros, provocarem no metro e em todos os locais até onde a imaginação ouse… ou então não vale a pena….
No Rio de Janeiro ou em São Paulo há muito mais portas onde colocar papelinhos do que em Lisboa.
E há também o papelinho higiénico…