Medos

Entre a página 439 e a 441 de 2666, durante o diálogo entre um inspector da polícia e a directora de um manicómio, Roberto Bolaño enumera trinta tipos diferentes de medo. São eles:

Sacrofobia – medo ou aversão ao sagrado, aos objectos sagrados
Gefirofobia – medo de atravessar pontes
Claustrofobia – medo dos espaços fechados
Agorafobia – medo dos espaços abertos
Necrofobia – medo dos mortos
Hematofobia – medo do sangue
Pecatofobia – medo de cometer pecados
Clinofobia – medo das camas
Tricofobia – medo do cabelo
Verbofobia – medo das palavras
Vestiofobia – medo da roupa
Iatrofobia – medo dos médicos
Ginefobia – medo da mulher
Ombrofobia – medo da chuva
Talassofobia – medo do mar
Antofobia – medo das flores
Dendrofobia – medo das árvores
Optofobia – medo de abrir os olhos
Pedifobia – medo das crianças
Balistofobia – medo das balas
Tropofobia – medo de mudar de situação ou lugar
Agirofobia – medo das ruas ou de atrevessar uma rua
Cromofobia – medo de certas cores
Nictofobia – medo da noite
Ergofobia – medo do trabalho
Decidofobia – medo de tomar decisões
Antropofobia – medo das pessoas
Astrofobia – medo dos fenómenos meteorológicos
Pantofobia – medo de tudo
Fobofobia – medo dos próprios medos

«Se você tivesse de ter um dos dois [pantofobia ou fobofobia], qual escolheria?», pergunta a directora do manicómio. O polícia opta pela fobofobia: «Entre ter medo de tudo e ter medo do meu próprio medo, escolho este último, não se esqueça que sou polícia e se eu tivesse medo de tudo não poderia trabalhar.» Ao que a directora replica: «Mas se tiver medo dos seus medos a sua vida pode transformar-se numa observação constante do medo, e se estes se activarem, o que se produz é um sistema que se alimenta a si mesmo, um enredo do qual lhe será difícil escapar».
Há ainda um outro tipo de medo, digo eu. A 2666fobia: medo de não acabar um certo livro de Roberto Bolaño.



Comentários

3 Responses to “Medos”

  1. Entre a página 439 e a 441 :: w a z z u p on Setembro 8th, 2009 17:49

    […] lista que Roberto Bolaño enumera num diálogo entre um polícia e um directo de manicómio, José Mário Silva acrescenta a 2666fobia: o medo de não acabar o livro de Roberto […]

  2. M. Garcia on Setembro 9th, 2009 9:39

    O homem esqueceu-se da triscaidecafobia: quando se chega à página treze…

  3. Eu também ando com a “2666fobia” « o absurdo on Setembro 9th, 2009 10:25

    […] tags: 2666, Bibliotecário de Babel, Roberto Bolaño by Eduarda Sousa O Bibliotecário de Babel enumera um conjunto de medos que aparecem no 2666 de Roberto Bolaño. Por último acrescenta a “2666fobia: medo de não […]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges