MeYA
Um dos grandes objectivos da concentração de empresas, já se sabe, consiste em reduzir o número de trabalhadores. Criam-se departamentos transversais e corta-se no pessoal. É também isso que está a acontecer na tão falada holding de Miguel Pais do Amaral: na apresentação da nova marca do grupo já só estiveram 549 funcionários, dos 670 que havia antes (correspondendo a uma quebra de 18%), mas há quem fale num downsizing ainda maior, na ordem dos 40%. Veremos. Mas se quase metade das pessoas que trabalhavam nas editoras progressivamente adquiridas por Pais do Amaral forem efectivamente dispensadas, talvez valesse a pena mudar o nome da holding de LeYa para MeYa. É que em vez da Caminho, da Asa, da Dom Quixote, da Texto, da Gailivro, da Novagaia, da Ndjira e da Nzila, vamos ter meia Caminho, meia Asa, meia Dom Quixote, meia Texto, meia Gailivro, meia Novagaia, meia Ndjira e meia Nzila.
Comentários
5 Responses to “MeYA”
- Maravilhas da paternidade em 8 de Fevereiro de 2012
- Poesia para respirar em 8 de Fevereiro de 2012
- A grande machadada em 8 de Fevereiro de 2012
- Bicentenário de Dickens em 7 de Fevereiro de 2012
- Pó dos Livros Vintage em 7 de Fevereiro de 2012
- Rui vs. Fernão em 7 de Fevereiro de 2012
- Hatchet Job of the Year em 7 de Fevereiro de 2012
- Uma micronarrativa de Andréa Del Fuego em 7 de Fevereiro de 2012
- Teia de desencontros em 7 de Fevereiro de 2012
- ‘Encontros na Poesia’ em 6 de Fevereiro de 2012


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Vero…e bene trovatto!
Além do downsizing (não consigo escrever em itálico), a confusão já se está a gerar no que respeita à relação da editora/livreiro, que passo a descrever: a minha esposa e uma amiga fizeram uma sociedade e resolveram apostar numa livraria em Pontével, uma freguesia de pequenas dimensões
no concelho do Cartaxo. A livraria abriu em Novembro, e tendo em conta o sítio e as pessoas, uma terra com cerca de 5 mil habitantes com pouca (nenhuma) oferta cultural, conseguiram sobreviver estes 2 primeiros meses. Os contactos feitos com as várias editoras citadas, com primazia à Dom Quixote, Asa e Caminho (agora no novo grupo) foram feitos com sucesso, dando como exemplo novas encomendas feitas ainda em Dezembro a prever o Plano Nacional de Leitura, visto que há muita procura por parte de crianças e jovens que estão na escola. Mas desde Janeiro, o caos instalou-se. Os contactos não são os mesmos, as encomendas extravariam-se e têm muita dificuldade a entrar em contacto com as editoras. Esta livraria é pequena mas coseguiu-se ganhar uma relação de proximidade com as pessoas da terra. Mas se as editoras (ou a editora,já não sei) continuar a trabalhar assim, a livraria, ainda recém-nascida vai ser obrigada a fechar. Deixo o meu alerta para as consequências deste tipo de operações, que pode não dar prejuízo aos grandes livreiros mas a pequenos livreiros, quase de porta a porta, é uma situação que se está a tornar incomportável.
Um abraço de um leitor da sua biblioteca,
Carlos Gouveia
que giro. este post fez-me lembrar o josé mário silva dos tempos do blogue de esquerda, anti-capitalista comme il faut…
Mas o fenómeno é mais alargado. A Barteslmann também mandou embora a maioria dos livreiros mais antigos da Bertrand…
Enfim, sinais dos tempos. Agora ao cliente resta rezar que o empregado da livraria saiba pequisar bem no PC…
Estimado Tiago L.,
defendo uma sociedade capitalista sujeita às leis de mercado, não sou dos blogues de esquerda, e não acho giro o conteúdo do post. O seu comentário revela o pouco que você sabe!
Bom blogue!