Morreu José Saramago

Acabei de saber que José Saramago morreu hoje, na sua casa de Lanzarote, aos 87 anos. Como não vou poder actualizar o blogue nas próximas horas, justamente por causa desta infeliz notícia, assinalo para já o meu desgosto e a minha tristeza pela perda de um grande, de um imenso escritor.



Comentários

9 Responses to “Morreu José Saramago”

  1. nils on Junho 18th, 2010 13:14

    Bonita foto e sei que muito sentida homenagem. Seria um cromo difícil na caderneta dos escritores, porque Saramago é dos raros. Não esqueça no genial escritor, o grande homem que era. O pensador generoso e humano. Paz a nós na sua ausência.

  2. Sílvio Silva on Junho 18th, 2010 13:23

    O sábio…nem tenho palavras…

  3. MAP on Junho 18th, 2010 15:09

    Que dor tão grande.

  4. Jonas on Junho 18th, 2010 15:38

    Merda.

    E, se afinal até há algum capataz do outro lado, estará agora o audaz e persistente Saragamo doutrinando-o.

    Terei saudades.

  5. csd on Junho 18th, 2010 17:19

    Junto-me a si, José Mário.

    Parabéns pela escolha da fotografia.

    Digna de um Imortal.

    csd

  6. isabel ribeiro on Junho 19th, 2010 18:05

    Li Levantados do Chão, aquando da sua publicação por um mero acaso. O nome Saramago nada me dizia. A partir daí não parei… até ao Ensaio sobre a Cegueira. O Memorial, A História do Cerco de Lisboa, Jangada de Pedra e O Ano da mOrte de Ricardo Reis continuam meus preferidos, mas o Memorial inultrapassável. Contudo, zanguei-me com Saramago. Num aprimeira situação, numa Festa do Avante, preparava-me para lhe pedir um autógrafo. A sua altivez, frieza e distanciamento espantavam os leitores que, rapidamente, se desviavam para a fila do ternurento Manuel da Fonseca. Ainda guardo a delicadeza do beijo e o seu autógrafo na “Seara do Vento”, livro meticulosamente estudado para o trabalhar com os alunos em 77. Mas como gostava da escrita de S. continuei a lê-lo, claro. Não consigo é esquecer as palavras dele, aquando do Nobel – “Fiquem com o prémio, que eu fico com o dinheiro”. A somar a esta incoerência, outras vieram e estreitamente ligadas ao mundo materialista…
    Numa tentativa de fazer as pazes, comprei A viagem do Elefante. Confesso. Tenho lido muito, mas ainda não consegui abrir este. Um destes dias! Afinal, Saramago, para mim, já desapareceu do meu horizonte há mais tempo e tudo se tornou demasiado vulcânico à sua volta. Quero continuar a guardar os sabores/sabores adquiridos das leituras feitas anteriormente. É que para mim, o Nobel da Literatura Portuguesa teria sido outro nome, que espero ver ainda a continuar a enriquecer o património português. Ele até adora este país, mesmo tendo sido já tão sacaneado!!!

  7. Gerana on Junho 20th, 2010 2:16

    Sem dúvida, o grande romancista da língua portuguesa.

  8. leal maria on Junho 20th, 2010 23:52

    do chão se levanta a palavra; numa elegia ao corpo que à terra desce (pela memória de José Saramago)

    imune à passagem do tempo,
    não ficará sequer o nome que te chamam.
    inevitavelmente, sobrevirá , implacável, o esquecimento;
    àqueles, que comovidos, invocando-o, te aclamam.

    aquele intermitente esquecimento de quem tem de viver o dia a dia,
    sem o permanente pensar
    nos que soçobraram perante a inevitável regra da natureza.
    relembrar-te-ão, talvez, ao ler uma prosa tua ; uma poesia;…
    mas ao mais das horas
    tributar-lhes-ão os mesmos anseios; tão cheios de incerteza.

    mas que isso te serviu de consolo; sei-o eu.
    ao antever o fim do teu caminho, reconfortou-te essa ideia de perenidade:
    por muito que seja o que a vaidade nos prometeu,
    reconforta no fim,
    saber-nos um alicerce entre tantos que vão fundeando a ideia da ideal cidade.

    fica feito o percurso que fizeste .
    e se mais não foi possível, podes sempre alegar a falta de oportunidade.
    mas para que conste e o saibam, quiseste,
    oooh se quiseste, chegar ao exacto ponto onde começa a eternidade.

    somos assim, nós, os ateus:
    intrinsecamente religiosos.
    sabemos não ser definitivo o adeus,
    quando ao pó retornarem os nossos ossos.

    impelido pelo desassossego que te consumia,
    tentaste aprisionar nas palavras o caos que sabias reinar.
    levantaste-te do chão em cada novo nascer do dia,
    e para divinizares a humanidade, à noite, era sobre o lodo original que te ias deitar.

    a mortalha da genial metáfora resgatar-te-á,
    aos olhares dos que tentarem vislumbrar-te na podridão.
    e o dogma cairá,
    se por ela se guiar o Homem que, cego, tacteia a escuridão.

    essencial substância do aleatório arquitecto do universo,
    fizeste mais que a tua parte.
    na tentativa de dar forma a uma alma pela prosa e pelo verso,
    deste ao nosso embrutecimento as ambíguas subtilezas de uma refinada arte.

    leal maria

  9. José Manuel Outeiro on Junho 25th, 2010 19:53

    Eis umha sondagem sobre qual o melhor romance de Saramago:

    http://fortunacritica.outeiro.com/2010/06/qual-e-o-melhor-romance-de-jose.html

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges