Nazis e outros monstros nas catacumbas de Lisboa

As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy
Autores: Filipe Melo (argumento) e Juan Cavia (desenho)
Editora: Pato Profissional/Tinta da China
N.º de páginas: 119
ISBN: 978-989-671-027-9
Ano de publicação: 2010
Aos 14 anos, Filipe Melo foi um dos primeiros hackers portugueses. A excitação de entrar em sistemas informáticos terminou, porém, no dia em que a Polícia Judiciária lhe bateu à porta. Depois do susto, trocou o teclado do computador pelo do piano e é agora um dos mais reconhecidos músicos de jazz portugueses, membro da direcção do Hot Clube e professor de Piano e Harmonia na Universidade de Évora, não deixando de se envolver em inúmeras actividades artísticas paralelas. Com a sua própria produtora, realizou um filme de zombies (I’ll See You In My Dreams), vencedor do prémio de melhor curta-metragem no Fantasporto em 2004, e uma série televisiva de culto (Um Mundo Catita, com Manuel João Vieira).
As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy começou por ser um argumento cinematográfico apoiado pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), mas a impossibilidade de o filmar «sem abrir mão do arrojo e da audácia» levaram-no a adaptar o guião para Banda Desenhada. Nascia assim, ao fim de cinco anos, parte dos quais em diálogo à distância com o desenhador argentino Juan Cavia (utilizando o Skype e o e-mail), uma obra que pode ser comparada – na composição, minúcia e organização das pranchas – ao que de melhor se faz no género lá fora.
O elemento mais frágil acaba por ser a história do entregador de pizzas a quem roubam a moto e do «detective do oculto» que com ele decifra, por vias travessas, o mistério de um rapto sistemático de crianças. Embora os diálogos estejam bem construídos e não faltem excelentes ideias (as falas invertidas quando os heróis estão pendurados de cabeça para baixo), personagens (a gárgula decapitada) e detalhes (uma referência ao Hot Clube no rodapé do Telejornal), a narrativa nunca vai além de um pastiche divertido, mas previsível, de temas clássicos do fantástico de pendor gore (incluindo uma conspiração nazi nas catacumbas de Lisboa).
Talvez o segundo volume, pensado de raiz como novela gráfica, esteja à altura das expectativas que este desperta mas não cumpre.
Avaliação: 6/10
[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]
Comentários
2 Responses to “Nazis e outros monstros nas catacumbas de Lisboa”
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Caro Zé Mário,
Na minha modesta opinião, esta BD mereceria mais uns pózinhos…
Talvez, Rui, admito que sim. Eu é que não sou grande apreciador deste género de histórias.