Nem todos os paquidermes se deixam abater
Símbolo dos republicanos, o elefante está hoje na mó de baixo. Amanhã, porém, volta a animar-se, quando a capa amarela e roxa do novo romance de José Saramago (A Viagem do Elefante) começar a invadir as livrarias portuguesas. Em entrevista ao Diário de Notícias, o escritor explica como é que os gravíssimos problemas de saúde sofridos no último ano não o impediram de escrever «um livro feliz e irónico» (aqui, aqui e aqui).
Tal como eu intui durante a leitura do livro, Saramago confessa ter sublimado a experiência de estar à beira da morte numa passagem em que um homem anónimo se perde da caravana, fica perdido no nevoeiro, «a ponto de morrer de frio e abandono», e só regressa ao ouvir os bramidos do elefante, que mais ninguém ouve, para logo desaparecer no ar como uma bola de sabão.
Já que falo nisto, aproveito para transcrever a dita passagem. Esperem só um bocadinho.
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