Ninguém escapa
Francisco José Viegas sobre a dependência provocada pelos romances de Stieg Larsson:
«O vício que eles proporcionam não tem apenas a ver com o facto de serem histórias bem contadas; elas falam da sobrevivência e do perigo da morte iminente, da corrupção e do desejo de vingar a injustiça. Há bem e mal. Há amor e indiferença. Coisas humaníssimas. Vive-se muito nos seus livros, e de uma forma apaixonada. Ninguém escapa.»
Eu, que já atravessei em leitura-relâmpago os três calhamaços, confirmo: ninguém escapa.
Comentários
7 Responses to “Ninguém escapa”
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 29 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 22 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 16 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 9 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 2 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 25 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 18 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 11 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 4 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 28 de Outubro de 2016


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No papel, suponho, e só no papel
No palco político
a coisa não é bem assim
Perguntem às urnas
Again, o problema está no preço dos livros.
Não li os livros de Larsson. Fui – e, embora menos, ainda sou – um apreciador de literatura policial. Admito que estes sejam excelentes livros, até pelo que já li sobre eles, escrito por várias pessoas, incluindo por si noutras alturas. Mas “ninguém escapa” parece-me pouco. Afinal, significa exactamente o quê? O excerto (e a crítica completa pouco mais acrescenta) menciona “bem” e “mal”, “amor” e “indiferença”, “corrupção” e “desejo de vingar a injustiça”. Tudo isto pode aplicar-se a péssimos livros (ou filmes ou telenovelas). “Histórias bem contadas” e “coisas humaníssimas” dizem-me alguma coisa. O carácter viciante nem tanto; ou só me diz algo na medida em que se revelaram viciantes para pessoas que sei que não se satisfariam com, digamos, Ken Follett ou Dan Brown. Se não o soubesse, depois de ler “ninguém escapa” perguntaria “e desejaríamos escapar?”
Como escrevi, já li outras críticas e estou disponível para aceitar que estes são bons livros. A minha diatribe tem essencialmente a ver com a dúvida que me assalta com frequência quando confrontado com grandes sucessos de público: como perceber quais valem realmente a pena. Há quem só leia sucessos de vendas; eu, como outras pessoas, confesso o que talvez seja o preconceito de hesitar ler sucessos de vendas. A crítica é fundamental neste caso (no primeiro nem tanto porque quem só lê sucessos de vendas não lê críticas ou não lhes liga) e é por isso que talvez as apreciações ainda devam ser mais fundamentadas que quando se analisam os últimos do Philip Roth ou do Cormac McCarthy (que quase toda a gente que gosta de literatura está disponível para acreditar serem bons).
(Depois de escrever isto tudo, hesito em pressionar a caixa “Submit Comment”. Que se lixe…)
Caro jaa,
Nunca hesite em carregar no “submit comment”. Quanto ao “ninguém escapa”, acho que o FJV quis dizer, e eu concordo com ele, que toda a gente pode ser apanhada pela subtil engenharia narrativa do Larsson: os que apreciam policiais, os que apreciam pageturners, os que apreciam bestsellers em geral e os que apreciam literatura mais exigente.
Eu, que nunca tinha lido um policial, li os três durante os últimos dois meses ou coisa que o valha. Dado que não sou masoquista, só se pode concluir que gostei imenso de os ler. Mas algumas coisas pareceram-me um bocado irritantes:
– Sobretudo no vol. 2, umas coincidências demasiado espantosas e desnecessárias na economia da narrativa;
– O protagonista masculino é demasiado aquilo que um homem típico de meia idade gostaria de ser;
– Entre os maus só há homens, como se as mulheres estivessem imunes à maldade genuína;
– E no vol. 3, com aquelas resmas todas de investigadores, é demasiado difícil não perder o fio à meada. Os nomes suecos também não ajudam…
Vargas llosa fala sobre Larssen, aqui:
http://notasmoleskine.blogspot.com/2009/09/vargas-llosa-sobre-larsson.html