Noites longas

As noites no Hotel Axis Vermar, onde dormem os participantes nas Correntes d’Escritas, costumam ser longas e animadas. No bar do hotel, ouvem-se conversas sobre livros já lidos e por ler, romances já escritos ou por escrever, campeonatos de futebol já perdidos ou por ganhar, além de tricas laborais, reflexões sobre o calamitoso estado da nação e outros temas prosaicos a que os literatos também se entregam com entusiasmo (quem julga que os escritores só falam de literatura, desengane-se). Este ano, com algum álcool à mistura, voltou a haver cantoria até às tantas, mas com o inevitável upgrade que os tempos entroikados exigem: várias abordagens à Grândola, Vila Morena, claro, mas também o Acordai, de Lopes-Graça, e até a Internacional. Grande revelação: Nuno Camarneiro, Prémio LeYa 2012, que surpreendeu toda a gente com uma voz de belo timbre e repertório ecléctico (embora se notasse um particular empenho na exploração do cancioneiro alentejano).



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges