O ano Camus
Fez ontem 50 anos que morreu Albert Camus. Por cá, a efeméride passou praticamente despercebida, mas em França não se fala noutra coisa, com o nome do autor de O Estrangeiro a servir de mote quer a intelectuais de todos os quadrantes, quer aos oportunismos retóricos de Sarkozy. Para Grégoire Leménager, do Nouvel Obs (revista que dedica esta semana ao autor nascido na Argélia um dossier especial), 2010 está condenado a ser um ano camusiano, porque, cinco décadas após a sua morte, Camus «conhece uma apoteose que, para um escritor, vale todos os panteões do mundo». Isto é, em vez de jazer nas bibliotecas, voltou a invadir as livrarias. E a ser discutido, levado à cena, homenageado, citado, etc. Como todas as beatificações literárias, esta também terá os seus aspectos perversos, os seus abusos e apropriações ilegítimas. Mas se houver mais gente a (re)descobrir um autor que parecia um pouco esquecido, o burburinho não terá sido em vão.
Comentários
2 Responses to “O ano Camus”
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é claro que não…
felizmente
csd
Há um livro do Camus em vista no meu rol de leituras previstas para este ano, O Exílio e o Reino, uma antologia com seis contos ao todo. Finalmente conhecerei esse autor que está sendo praticamente redescoberto na contemporaneidade.