O efeito Streisand segundo a FNAC

Afinal sempre existe uma explicação para o desaparecimento dos posts no Facebook que criticavam a estapafúrdia promoção da FNAC, segundo a qual vale a pena trocar Os Maias do Eça pelos vampiros da Stephenie Meyer. Retirada a foto em causa, por quem a colocou primeiro no seu perfil do FB, ela desapareceu automaticamente de todos os perfis que a partilharam. A questão, como uma leitora recorda nos comentários do post anterior, é que «faz parte do código de conduta implícito do FB não apagares um post que tem várias partilhas e comentários. Não deixa de ser uma espécie de censura. E utilização das pessoas: vocês, leitores e “amigos”, interessam-me enquanto partilharem aquilo que me interessa a mim, depois disso, tiro-vos o tapete e deixo-vos a fazer figura de parvos». Ou seja, estamos perante mais um exemplo do Efeito Streisand. Ao querer eliminar um foco de polémica, a FNAC só aumentou (mais ainda) a indignação dos internautas.



Comentários

3 Responses to “O efeito Streisand segundo a FNAC”

  1. Jonas on Janeiro 30th, 2012 14:38

    Se faz parte do código de conduta, é uma tontice técnica por parte do Facebook permitir que assim aconteça, andam obcecados com função comercial, nem se apercebem do funcionamento ridículo da ferramenta.

    Sobre a FNAC, não estaremos a ser demasiadamente severos?
    Ou, mais importante, não estaremos a impor uma consciência moral de qualidade acima de interesses comerciais legítimos? Talvez as vendas da Meyer ajudem a sustentar o resquício da poesia que ainda lá têm, assim como todo o resto do Eça que vende quase nada.

    Com franqueza, esta reacção (das “redes”) entre a irritação e a histeria é um exagero. Ainda que a FNAC fosse subsidiada pela SEC, ainda assim, poderia vir a sofrer do “Efeito Livraria Camões no Rio de Janeiro”, penso eu…

  2. shyznogud on Janeiro 30th, 2012 15:18

    Cuidado com certas acusações, a foto q ontem circulava não era da FNAC. Era de alguém q, se calhar, não gostou do protagonismo q a sua imagem estava a ter e a retirou. Era o q mais faltava q a FNAC fosse responsabilizada por actos individuais q lhe são alheios, isso abriria portas a umas belas campanhas de enegrecimento de imagem.

  3. Gonçalo on Janeiro 30th, 2012 17:09

    @ Jonas: o problema não é a FNAC vender livros de vampiros e adolescentes e afins. Faz parte do negócio deles. O problema é a lógica disjuntiva de perecibilidade que está subjacente, e que vem directamente do negócio dos gadgets.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges