O exacto oposto de um best-seller

No livro de poemas que acaba de publicar na Averno (Oráculos de Cabeceira), Rui Pires Cabral escolheu uma dedicatória muito significativa. Diz apenas: «para os meus trezentos leitores».



Comentários

8 Responses to “O exacto oposto de um best-seller

  1. Gerana Damulakis on Junho 18th, 2009 18:50

    Já houve quem dissesse que tinha menos leitores: cem!!! Não estou segura se foi Stendhal. Só conferindo. Ao fim e ao cabo, é um bom sinal.

  2. Liv on Junho 18th, 2009 21:30

    Belíssima dedicatória. Vale por um ensaio.

  3. anita on Junho 18th, 2009 22:02

    oh! é ternurento…
    :)
    (de certo ponto de vista, ler determinados autores pode ser mais exclusivo que usar uns Christian Louboutin…)

  4. Gerana Damulakis on Junho 19th, 2009 2:22

    Era Stendhal mesmo, citado por Machado de Assis no “Ao leitor” de Memórias Póstumas de Brás Cubas quando, ele (o personagem, Brás Cubas) diz que não terá dez, talvez cinco leitores apenas.

  5. António on Junho 19th, 2009 8:52

    Stendhal esse que abria a Chartreuse com o incipit shakespeariano de “to the happy few”. No seu caso a dedicatória tinha um sentido escondido, mas é sempre bom ver alguma modéstia de vez em quando.

    Se eu encontrar o livro do Rui vou certamente contar-me entre os seus trezentos leitores.

  6. Luiz Carlos on Junho 19th, 2009 17:14

    Pois, no Brasil, RPC tem este leitor que, além de gostar muito da poesia dele, também adotou-a como tema de tese de doutorado…

  7. João on Junho 21st, 2009 16:43

    Quero dar os parabéns ao Luiz Carlos pela sua coragem em fazer uma tese doutorado sobre a poesia do Rui e como amigo do poeta sinto muito orgulhoso…

  8. Dedicatórias | Bibliotecário de Babel on Junho 25th, 2009 11:46

    […] mesmo as que parecem inócuas. Às vezes, são actos de despojamento ou noção da realidade (como a do Rui Pires Cabral). Às vezes, são apenas gestos que repõem uma certa forma de justiça. Como a dedicatória de […]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges