changing eye color on adobe photoshop cheap place to buy Adobe Contribute CS4 install font in adobe photoshop adobe photoshop tryout patch cheap place to buy Adobe Creative Suite 5 Master Collection for Mac 2.0 adobe creative premium suite adobe photoshop 3.2 cheap place to buy Adobe Dreamweaver CS5 linux equivalents to adobe photoshop forum adobe photoshop cheap place to buy Adobe Photoshop CS5 adobe photoshop straight line authorization code for adobe photoshop cs cheap place to buy Adobe Dreamweaver CS4 for Mac buy adobe photoshop 7 font types for adobe photoshop cheap place to buy Adobe Dreamweaver CS3 adobe photoshop cs2 software windows free photoshop adobe downloads cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Web Premium for Mac adobe photoshop plug in morph batch processing in adobe photoshop cs cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Web Standard for Mac adobe creative suite educational price adobe photoshop brush sets cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Production Premium for Mac adobe photoshop cs3 archive free trial adobe creative suite 2 cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Production Premium adobe photoshop download discount software adobe dreamweaver cs3 information tutorials cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Design Standard for Mac adobe photoshop 7.0 trial adobe photoshop 5.5 download cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Design Premium for Mac adobe photoshop for ubuntu adobe creative suite change serial number cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Design Premium adobe photoshop cs2 prefences adobe creative suites premium upgrade news cheap place to buy Adobe Creative Suite 3 Web Premium install adobe photoshop adobe photoshop activation prob cheap place to buy Adobe Creative Suite 3 Design Premium adobe dreamweaver 9 activation code

O exército infantil

«A artilharia iniciou o ataque com uma barragem de tiros sobre as trincheiras; as bombardas caíam como gotas de fogo levantando línguas de poeira e fumaça, numa constância cadenciada de artilheiros experientes. Não houve reação do outro lado; poucos tiros de fuzis eram disparados pela tropa paraguaia, que parecia afundar-se cada vez mais na proteção das trincheiras, uma proteção pouco mais do que simbólica, pois os artilheiros estavam colocando suas bombas exatamente sobre elas e de vez em quando se viam corpos mutilados sendo lançados para o alto, em meio à fumaça e à terra arrancada. Após algum tempo a cavalaria avançou, fechando pelo flancos, galopando entre os arbustos das encostas que circundavam as linhas de trincheiras, e sumiu no mato seco, atacando com espadas e lanças. Então a infantaria recebeu ordens de avançar também, em cargas sucessivas, como ondas, contra as trincheiras; quase não houve resistência. Os clarins tocavam ordens, sempre de ataque, e facilmente as linhas do exército aliado penetraram no campo paraguaio, matando, atirando com seus fuzis, destroçando um exército paraguaio, pela primeira vez naquela guerra, sem garra, sem a agilidade dos saltos e do manejo das lanças, sem o vigor costumeiro e acostumado. Nunca os soldados brasileiros haviam visto aquilo: matavam com enorme facilidade; os paraguaios pareciam petrificados diante do avanço de homens calejados por tantos anos de combates, desejosos de acabar logo com aquela guerra para retornar à pátria; uma batalha com mais ódio, porque era uma batalha inútil. As linhas penetravam cada vez mais fundo no campo, destroçando, entre a poeira e a fumaça dos canhões, um exército quase inerme, que se agachava nas trincheiras como esperando a morte.

Aos poucos, os próprios soldados aliados, surpresos por tanta indiferença, começaram a perceber que estavam matando crianças; eram crianças com seus olhos espantados, vestidas de soldados, enfiadas nas trincheiras com fuzis enormes, que nem sequer poderiam levantar; crianças vestidas de soldados, agarradas às saias de suas mães, que as tentavam proteger com o próprio corpo, enquanto eram abatidas com suas crias pelas balas dos fuzis, certeiras. Os soldados foram reparando que ali não havia guerreiros, mas uma farsa conduzida por uns poucos velhos e muitas mulheres corajosas, que se atiravam, com lanças mal manejadas, sobre os veteranos, que saltavam pelas trincheiras como macacos treinados, matando, estripando. E começou então a fuga, no meio das macegas secas; crianças e mulheres correndo, despertados pela fúria dos soldados, que continuam matando com suas espadas e seus facões; já nem era preciso atirar mais, os pequenos vultos fugindo às centenas colina acima. Foi então que encontraram a cavalaria que descia a galope, atropelando, numa carga feroz; as espadas cortando o mato, cortando cabeças, decepando braços, espalhando sangue pelas folhas ressequidas e galhos empoeirados do mato rasteiro, que mal escondia o colorido vivo dos uniformes paraguaios.
Foi então que alguém teve uma idéia: o toque de recuar; e o soldados pararam, saíram do mato.
Foi aí que alguém teve outra idéia e passou a colocar fogo nos galhos ressequidos pelo sol e pelo inverno e o vento soprou em direcção ao Leste, para onde fugiam os meninos e suas mães, os que restavam vivos, e o fogo correu com pés mais rápidos do que os deles, alcançou-os e queimou-os como vinha queimando galhos e troncos, e o campo de batalha transformou-se na mais terrível das minhas visões. Eu vi meninos em chamas, entre a galharia; pequenas tochas coloridas, rodopiando até cair e tornar-se uma fogueira que ajudava a espalhar o fogo para outras árvores, que acendiam outras pequenas tochas, e havia um cheiro jamais sentido nas guerras, um cheiro de carne queimando, como os churrasco de campanha onde assamos o boi com seu couro.
Não sei quanto tempo durou esse horror, mas aos poucos, atônitos, os soldados pararam e apenas permaneceram olhando o fogo consumir os restos daquele exército de meninos e mulheres. Eu vi homens chorando; eu vi o espanto, o horror nos olhos de tantos veteranos, encarquilhados pelas lutas nos esteros, nos campos, nas margens dos rios; aqueles homens que haviam aprendido a respeitar um inimigo cuja coragem era o grande desafio; o inimigo que morria definitivamente pelos corpos em chamas de suas crianças; eu vi o desespero de velhos soldados, os fuzis inúteis nas mãos, as lanças esquecidas, a vergonha, a vergonha.»

[in O Rastro do Jaguar, de Murilo Carvalho, págs. 509-512, LeYa, 2009]



Comentários

2 Responses to “O exército infantil”

  1. jjleiria on Abril 2nd, 2009 8:23

    Oh, que giro, afinal sempre foi possível publicar livros em Português do Brasil, mesmo depois da extinção dessa norma…

    («Idéia»?)

    • José Mário Silva on Abril 2nd, 2009 12:23

      Caro jjleiria,

      Esta edição ainda não obedece ao Acordo Ortográfico.

      Leia os últimos textos publicados
      «Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges