O livro mais roubado de 2009
Não sem uma ponta de orgulho, Francisco José Viegas anunciou, durante o lançamento-festa de O Terceiro Reich, no Music Box, que o livro mais roubado nas livrarias portuguesas em 2009 foi o monumental 2666, de Roberto Bolaño. Os larápios bibliófilos estão duplamente de parabéns: não só escolheram o melhor livro do ano para a generalidade da crítica, como também um dos mais volumosos e difíceis de roubar. Sair da FNAC ou da Bertrand com um calhamaço de mais de mil páginas debaixo da camisola não revela apenas bom gosto literário; revela também alguma coragem, ou muito descaramento.
Ironia das ironias, o próprio Bolaño era um exímio praticante do roubo de livros. Ele e as suas personagens (cf. Os Detectives Selvagens).
Comentários
21 Responses to “O livro mais roubado de 2009”
- Melancólicas criaturas em 20 de Maio de 2012
- Primeiros parágrafos em 20 de Maio de 2012
- Um rato através da anaconda em 20 de Maio de 2012
- Os reflexos do mal em 19 de Maio de 2012
- O que aí vem (Esfera do Caos) em 19 de Maio de 2012
- Camané no ‘Avenida de Poemas’ em 18 de Maio de 2012
- Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’ em 18 de Maio de 2012
- Juan Marsé: “Ao romancista não basta a realidade, ele tem de ir sempre um pouco mais além” em 18 de Maio de 2012
- Cinco poemas de Liberto Cruz em 17 de Maio de 2012
- A pirâmide alimentar dos escritores em 17 de Maio de 2012


Receba por e-mail
Facebook
Twitter
Delicious
DoMelhor
feed RSS
email diário






E revela, ainda, que os livros estão a ficar com um preço incomportável…
Roubar livros é um acto de cultura. Queimar ou guilhotinar livros é que é um imperdoável acto criminoso.
Eu próprio gostaria de roubar aquela edição com páginas diferentes. Precipitei-me a comprar a edição normal…
Cheira-me a história forjada para promover o livro – que provavelmente não vendeu o que esperavam.
Não me diga isso Javali! Eu comprei o livro na Feira do Livro do Correntes d’Escritas. Ainda não comecei a lê-lo porque tive outras prioridades de leitura. Espero que não seja um barrete. Por vezes acontecem essas coisas: um autor escreve um best-seller e depois o que vem a seguir não presta para nada. Nesse do Terceiro Reich, do Bolaño, agora que o Javali diz isso, reparo que na capa vem muito escarrapachado por duas vezes o título «2666» o tal livro do ano (que ainda não li). Isso não será um indício do que diz o Javali? Logo verei, quando ler o livro.
javali,
A qual dos dois livros se refere? O ’2666′ foi um êxito de vendas (mais de 25 mil exemplares vendidos e várias semanas em 1.º lugar nos tops da FNAC e da Bertrand). E ‘O Terceiro Reich’, ao fim de uma semana, também já está em primeiro lugar no top da Bertrand e em segundo no da FNAC.
E quem pagou 36€ pela exclusiva (e gabada) edição no lançamento e agora o encontra a 26€ (com cartão aderente) aos pontapés na Fnac…? Ai, Maria Madalena, fosse em Portugal e fossem os apedrejadores editores… não chegarias a dar filhos a Jesus.
Cheira-me a mais um golpe publicitário do Francisco José Viegas.
Quem classificou o 2666 como o livro mais roubado?
Fernando,
São dados da Bertrand, que tem a maior rede de livrarias do país.
Não quis, de modo algum, levantar suspeitas infundadas – mas também convém mencionar as fontes (e mostrar os dados) quando se vem para o “ar” com curiosidades estatísticas. Ainda que sejam curiosidades.
“São dados da Bertrand, que tem a maior rede de livrarias do país. ”
Será a mesma Bertrand que faz parte do MESMO grupo em que está a Quetzal? São, pois, dados de uma entidade totalmente imparcial e desinteressada, não é?… Você começa a ser uma piada, homem…
Desculpe, José Mário SIlva, mas então, como jornalista, não sabe que a Quetzal, da qual o Francisco José Viegas é editor, pertence ao grupo da Bertrand?
Mas já agora, uma vez que trabalho com a distribuidora Bertrand, vou pedir para que os vendedores me façam o favor de facultar essa lista de livros mais roubados nas livrarias Bertrand. São dados certamente interessantes para o mundo da edição. E vou já avisar o meu editor para que se acautele porque larápios que roubam com facilidade calhamaços como o “2666″ decerto que irão roubar outros, mais fininhos, com muito mais facilidade. É caso para pensar: como é que ainda há livros nas livrarias Bertrand?
A Bertrand não só tem uma grande rede livreira como tem também a Quetzal, que, por acaso, é a editora do livro “2666″ de Roberto Bolaño…
Que a Quetzal pertence ao grupo da Bertrand (DirectGroup/Bertelsmann) parece-me do conhecimento geral e mais ainda dos leitores deste blogue, onde as questões relacionadas com esse grupo já foram afloradas muitas vezes.
Agora, sugerir que a Bertrand estaria a “promover” maquiavelicamente a Quetzal, ao revelar que o ’2666′ foi o livro mais roubado de 2009, já me parece da ordem da paranóia, para não lhe chamar coisas piores.
A informação de que o livro de Bolaño foi o principal alvo dos larápios das livrarias chegou-me via Francisco José Viegas, editor mas também jornalista, fonte mais do que legítima e credível.
Se alguém tiver “dados” que desmintam estes, que mos envie por favor.
José Mário Silva, agora falando a sério, porque é que acha que tem vários comentários a colocarem em causa estes dados? Pelo preço que tem, pelo mediatismo envolvido, o “2666″ é mesmo provavelmente o livro mais roubado das livrarias.
Mas o que os comentários põem em causa é o facto de esses dados estarem a ser transmitidos como notícia, quando na verdade são pura propaganda editorial. E não interessa absolutamente nada que venha do “jornalista” Francisco José Viegas porque o “jornalista” Francisco José Viegas não é isento e só divulgou esse dado porque favorece claramente a editora Quetzal.
De uma vez por todas, o JMS tem que entender que números vindos de editoras (ou editores) são SEMPRE propaganda. Quando se diz que uma edição de 5000 exemplares foi esgotada em 2 dias, e os jornalistas estão a divulgá-la, estão apenas a propagandear aquilo que a editora quer que seja propagandeado, sem serem expostos os factos tal como eles são. Todas as editoras fazem isso, e é a estratégia mais velha do mundo manipular números de forma a favorecer um determinado objecto.
O que me espanta no meio disto tudo, e o que me desilude, é a incapacidade de o José Mário Silva diferenciar propaganda de notícias e factos. E isso é algo que tem sido recorrente há MUITO tempo no seu blogue e até no seu trabalho como jornalista. Não queria ter que expressar a minha opinião pessoal em praça pública, porque até o estimo bastante, mas há limites para tudo.
Seria interessante estes comentários serem as histórias dessas pessoas que conseguem roubar o 2666…Algumas haviam de ser óptimas histórias, e, já agora, serão esses livros os mais saborosos? (como o fruto roubado).
Um abraço (teu parceiro das correntes)
Safaa,
Francamente, não vejo o que a leva a abespinhar-se desta maneira. Se reparar no texto do meu post, eu limito-me a partilhar com os leitores do blogue o que o Francisco José Viegas anunciou no lançamento de ‘O Terceiro Reich’. Como é óbvio, parto do princípio que o FJV não está a mentir, como parto do princípio que a Gradiva não está a mentir quando diz que o José Rodrigues dos Santos ultrapassou o milhão de exemplares vendidos ou a Bertrand não está a mentir quando diz que o Dan Brown vendeu 150.000 exemplares de ‘O Símbolo Perdido’.
Num sector de actividade em que não há estatísticas oficiais fiáveis (um cancro que tarda em ser resolvido), das duas, uma: ou acreditamos na boa fé de quem nos transmite uma dada informação, ou remetemo-nos a um silêncio absoluto. No caso do FJV, não tenho quaisquer razões para duvidar.
Já no seu caso, tenho muitas dúvidas sobre a razão de tanta acrimónia, até porque no meu post, repito, me limitei a transmitir o que FJV disse no lançamento (um facto) e opinei em função desse facto, que até agora não foi desmentido.
Onde é que está o motivo para tanta indignação? E, já agora, importa-se de ser mais específica quanto à minha “recorrente” incapacidade de diferenciar propaganda de notícias e factos? Desculpar-me-á, mas acusações desse teor não se podem fazer de ânimo leve, sem exemplos que as sustentem.
Prefiro continuarmos a discussão por e-mail então, e explicarei o meu ponto de vista de forma fundamentada.
Ok, também me parece melhor assim.
José Mário Silva,
Nada sugeri. Apenas constatei um facto.
Há uma relação entre a Bertrand e a Quetzal, assim como há outra entre Francisco José Viegas e “2666″ de Bolaño. Factos que deveriam ter sido devidamente mencionados no seu blogue a par com a restante informação que transmitiu. Para as pessoas saberem sem terem de andar à procura dessa informação, que a sua fonte pode não ser imparcial.
Foi o próprio José Mário Silva que falou em promoção da Quetzal, não eu. Se a hipótese fosse completamente descabida, provavelmente não se tinha logo apercebido dela.
A discussão serve a promoção. Isto é óptimo para as vendas.