O livro que procura os seus leitores

Houve um tempo em que os livros esperavam, quietinhos e caladinhos, pelos seus leitores. Às vezes os leitores vinham e pegavam neles. Às vezes os leitores vinham e não pegavam neles. Às vezes os leitores nem sequer vinham.
Agora é diferente. Agora os livros, se quiserem, já podem escapar ao seu tradicional imobilismo. Querem um exemplo? Então espreitem aqui. O Japão É Um Lugar Estranho, de Peter Carey (Tinta da China), está a fazer pela vida no Twitter e não se limita a duas ou três mensagens anódinas, daquelas que se escrevem só para marcar presença. Como quem não quer a coisa, ele está a seguir mais de 1600 internautas (isto é, potenciais leitores) e já é seguido por quase 250. As actualizações, feitas na primeira pessoa (como se fosse o livro a escrevê-las), são constantes e os diálogos animados.
Um dos tweets põe tudo preto no branco:

«Desculpem a presunção mas sinto-me uma boa metáfora destes tempos difíceis: hoje, têm de ser os livros a ir à procura dos leitores.»



Comentários

2 Responses to “O livro que procura os seus leitores”

  1. André on Fevereiro 24th, 2009 23:40

    Cette clarté de clair de lune,
    Déballée par le désarroi d’une note
    D’un quelconque diapason,
    Trembleur dorée de ce flambeau en condoléance.
    Pierrot s’en va effrayé, se jette et tue sa plume.
    Persuadé que son cauchemar serait ainsi interrompu.
    Un seul mot troublerait ce décor, du moins,
    C’est son raisonnement.
    Froissées par le deuil, les ailes se déchirent,
    Si aisément et tombent les souvenirs
    sur son corps de marbre, une nudité retrouvée,
    Miroir de tous les vols accomplis.
    Une telle beauté visible en si peu de lumière,
    Seule l’intonation de mon impulsivité trouble
    Et entoure cette rencontre.
    Émane de ce corps une nudité que je saisis
    D’apparence abandonnée mais toujours si mystérieuse…

  2. João Pedro da Costa on Fevereiro 26th, 2009 11:25

    Brilhante ideia. Assim, o twitter faz sentido.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges