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‘O Mar em Casablanca’ esgota primeira edição
Embora só ontem tenha sido posto à venda, o romance O Mar em Casablanca, de Francisco José Viegas, já esgotou a primeira edição (7500 exemplares).
publicou o Bibliotecário de Babel às 16:15 de Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009 para o arquivo Geral.
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Por uma questão de clareza, neste comunicado como no do Stieg Larsson, da Oceanos, conviria talvez explicar que não houve corridas frenéticas de 7500 leitores às livrarias (que é a ideia que passa).
O que acontece é que a primeira edição de 7500 exemplares foi completamente distribuída pelas livrarias, que no entanto poderão devolver tudo a qualquer momento.
(É isto, não é?)
chiça! não sobrou nenhum para mim?
Este ano têm havido muitos romances com essa sorte. Ainda bem para os autores e para os editores e para as gráficas. Quanto às livrarias, não sei se lucram muito com isso. Segundo vou observando, são livros que vendem muito pouco na livraria onde trabalho. Dá-se inclusive o caso de, por vezes, a primeira edição que recebemos para venda ser já a segunda edição do livro. Isto ainda antes de o livro ter sido colocado à venda na data prevista. É provável que a primeira edição seja para oferecer aos amigos. Ora, como neste país toda a gente que escreve está cheia de amigos, não me custa acreditar que, de facto, a primeira edição seja para os “pardais”. Ou então os autores têm públicos concentrados em zonas específicas, ou as primeiras edições são vendidas em circuitos alternativos, ou não passa tudo de mais uma fantasmagoria publicitária.
“Dá, dabadabadá”… Ah, a paixão, que distorce toda a tentativa de objectividade… Ah Francisco, meu príncipe das edições “esgotadas”! Quando começa no Expresso a campanha para a atribuição ao Viegas do Nobel?
Caro heartbreaker, não é paixão, são factos. O resto do seu comentário entra no domínio do disparate. E disparates não comento.
Caro JMS
E já leu? Gostou? 7500 exemplares seria uma hora de vendas do Harry Potter, não significa nada. Apenas significa boa distribuição.
Não é uma edição de 7500 exemplares uma pequena edição? Nos discos há o disco de prata, ouro, platina…
Nos livros, como se pode medir o sucesso? Volte daqui a 30 ou 60 dias, depois das devoluções, para fazer um balanço sério.
O meu disclaimer é que não simpatizo de todo com o autor, desde que, ingenuamente, comprei um livro escrito por ele assinado com outro nome e com uma suposta fotografia do outro autor no que considero fraude descarada. Uma coisa é usar um pseudónimo, outra querer enganar abertamente uma pessoa. Deve ser crime algures. Falta de honestidade intelectual em todo o lado, algo que me custa sempre engolir.
Por isso preferia algo que dissesse alguma coisa, como uma crítica do livro.
Em vez desta publicidade descarada a um patrão seu, desculpe a franqueza.
Que é seu direito, claro está. Imagino que sejam amigos e esteja feliz por ele. Mas não se admire que outros não gostem.
Caro Pedro Lérias,
Quanto à crítica, publiquei-a no sábado (‘Expresso’) e poderá lê-la aqui, em versão ligeiramente maior, amanhã.
Quanto ao resto, não confunda por favor publicidade com informação. E o autor do livro não é meu “patrão”; é sim o director da revista com a qual colaboro, num regime de absoluta independência profissional.
“não confunda por favor publicidade com informação.” Ninguém a não ser você aqui confunde as duas, caro crítico. E de forma que começa a ultrapassar ao limite da decência.
Caro anónimo,
Se reparar bem, embora em rigor nada me obrigue a isso, procuro dar neste blogue notícias sobre quase todas as editoras portuguesas mais activas (e respectivos livros). Acha que isso é publicidade? Acha que tenho uma ‘agenda secreta’? Por favor, deixe-se de paranóias.
Sabe quanto é que eu ganho com este blogue, que me ocupa um número muito razoável de horas semanais de trabalho? Zero euros. Zero. A publicidade que surge na barra direita serve apenas para pagar o alojamento e gestão técnica do site. O lucro que tiro deste trabalho é nenhum, niente, nada de nada, puro voluntariado. Percebe?
Antes de avançar com teorias conspirativas de quem não tem nada melhor para fazer, tente medir melhor o alcance das suas palavras.
O que é isso do FJV ter escrito um livro por conta de outrem? Procurei na net e não encontrei nada.
Todas as suas réplicas, caro José Mário Silva, serão verdadeiras e deveriam em princípio ser suficientes para afastar qualquer dúvida relativamente à sua idoneidade; o que me leva a crer (e uma vez que não respondeu ao primeiro comentário a este post) que o JMS não percebe nada do mercado.
Ou então percebe e deliberadamente dá este tipo de informações incorrectas.
É óbvio que não se venderam 7500 exemplares do livro do seu amigo, nem para lá se caminha; o que acontece, como alguns comentadores deste seu post já referiram, é que os 7500 exemplares estão por aí no mercado, nas livrarias e hipermecados deste país. Só nos hipermecados, Fnac’s e Bertrand’s estarão praticamente estes 7500 exemplares.
Seja verdadeiro e se como diz, numa das suas réplicas, apenas pretende informar, faça-o como deve ser.
Caro Fiel de Armazém,
É evidente que o mercado funciona como diz. Os livros são colocados e não necessariamente vendidos. Só ao fim de uns meses se percebe quais foram efectivamente vendidos ou não. O termo “esgotado” refere-se, como é óbvio, aos armazéns. Se os livros foram todos colocados, deixam de existir em armazém. E se forem feitos novos pedidos, é necessário reimprimir. Foi isso que aconteceu com “O Mar em Casablanca”. Os primeiros 7500 exemplares foram todos colocados (não necessariamente vendidos) e como houve entretanto mais pedidos, fez-se uma segunda edição, impressa durante o passado fim-de-semana. A partir do momento em que se faz uma segunda edição, não me parece tecnicamente incorrecto dizer que se esgotou a primeira. Esgotou no sentido em que já não existe, nos armazéns, para responder à procura.
Caro JMS
Penso que está a querer justificar propaganda. Anunciar que a colocação de 7500 exemplares corresponde a esgotar 7500 exemplares é propaganda da editora. Divulgar essa informação é, ou ingenuidade – que penso ter sido o seu caso – ou má fé. É difícil querer ver a coisa de outra forma.
Quanto à sua seriedade e o autor em causa não ser seu patrão, penso que hoje em dia abunda a teoria que basta a pessoa ser isenta e não deve mais nada a ninguém. Eu continuo a achar que é preciso ser e é preciso parecer.
Usando um caso corrente. É possível que a nomeação do filho do Presidente da França, miúdo com 23 anos e na Universidade, para um cargo da alta finança seja um acto isento. Possível, mas pouco provável. Mas nunca irá parecer um acto isento, e isso seria critério, a meu ver, suficiente para nem sequer ser tentado.
Quem lhe comissiona o trabalho para a revista Ler é seu patrão. Não na concepção comum da palavra, mas é uma pessoa que lhe dá trabalho e por isso rendimento.
Já é algo turvo que seja você a fazer uma crítica ao livro. Vá lá ser no Expresso. Que publique aqui este post é, a meu ver, falta de bom senso ou estar-se a borrifar para as normas de bem parecer.
Não chega gritar aos sete ventos que se é isento. A verdade é que a sua crítica já tem peso, é usada para, por exemplo, publicitar livros nas suas contra-capas. Se quer que o seu trabalho seja levado a sério por todos não basta você achar que é isento. É necessário que o pareça.
Ou quer-me convencer que se o livro fosse um absoluto esterco você o diria abertamente?
Mas, ok, faça a crítica, como sugeri que fizesse, desconhecendo que já o tinha feito. Mas este post é um erro de julgamento, por potenciar propaganda vácua de uma editora. E porque, como crítico do livro, não é suposto andar aos pinotes de alegria pelo seu sucesso.
E não responda que isto é apenas informação. Foi uma informação escolhida para aqui estar, de entre milhares possíveis.
E eu acho que o JMS, apesar de navegar socialmente o mundo profissional onde trabalha, gosta de manter alguma independência. Se quiser que outros achem que isso assim é, deve pensar duas vezes antes de publicar e tentar justificar ‘informação’ como esta.
Obrigado, de qualquer forma, por responder e manter os seus posts interactivos. Não é fácil.
Cumprimentos,
Pedro Lérias
Caro Pedro,
Não tenho tempo para lhe responder agora. Mas responder-lhe-ei ainda hoje.
Caro JMS,
Entretanto ‘explodiu’ o debate sobre esta questão no post da sua crítica. E não aguardei pelo seu comentário – de que o exonero, não se preocupe com isso – apenas para realçar a questão do ser e parecer.
Penso que para muita gente será difícil levar a sério a sua crítica positiva ao livro. Imagino que seja séria, mas percebe o que eu quero dizer sobre as questões que se levantam?
Claro que o JMS pode entender que consegue andar para a frente e sair incólume de questões como estas apenas baseado na sua seriedade. É possível, mas arrisca-se a comprometer a credibilidade do seu trabalho.
Mas estou certo que não preciso de ser eu a dizer-lhe isto.
Cumprimentos,
Pedro Lérias