O que lêem os críticos quando não são obrigados a ler (3)

Eduardo Pitta

Eduardo Pitta:

«Não propriamente férias, porque um escritor nunca está em férias, mas este Verão tem sido mais calmo que os últimos meses, período em que se acumularam mil compromissos, entre eles a edição das obras completas de António Botto (os dois primeiros volumes tinham que chegar às livrarias até ao fim da Primavera), e a adaptação, para crianças, de um clássico do Eça, O Crime do Padre Amaro, que vai ser posto à venda, juntamente com o Sol, no próximo sábado, dia 23.
Agora, o tempo mais solto permite voltar ao Shakespeare de Harold Bloom, o tipo de obra que não se lê de enfiada.

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O título diz tudo: afinal, A Invenção do Humano é de nós todos que fala.

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Outro em que se pode pegar ao sabor dos humores é Foucault. Dits et écrits (um compacto dos textos que o autor publicou entre 1954 e 1975) permite essa leitura desordenada.

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Com mais disciplina, porque esteve parado quase um ano, desde que o trouxe de Roma, L’eroe negato, de Francesco Gnerre, sobre o tema sempre esquivo da homossexualidade, neste caso reportada à literatura italiana de Novecentos.

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Outro que cabe no laissez-faire é Octavio Paz. Delta de Cinco Brazos lê-se com agrado, mas não explica a vela que o mexicano tem acesa em Meca desde o primeiro verso.

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Por último mas não em último, a fabulosa P. D. James, de novo às voltas com o inspector-poeta Adam Dalgliesh. Crimes e Desejos era dos poucos em que ainda não tinha metido o dente.»



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges