O que lêem os críticos quando não são obrigados a ler (5)

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Rui Lagartinho (jornalista da RTP; escreve sobre livros na revista Time Out Lisboa):

«Não tenho férias grandes: apenas grandes férias.
Para ter a certeza que assim é, na minha mala, nos últimos anos, viajam sempre livros de Alexander McCall Smith.
McCall Smith é uma fonte inesgotável: de origem escocesa, é médico forense, viveu no Zimbabwe (onde nasceu) antes de se dedicar por completo à escrita. Publicou mais de sessenta livros, repartidos em várias séries. A mais conhecida é a “Agência n.º 1 de mulheres detectives”. A heroína é Precious Ramotswe uma intuitiva e curiosa detective que abre no Botswana uma agência de investigação privada. É o retrato de algo raro: uma África que deu certo. Os livros são exóticos, ternos e positivos na sua mensagem da vida numa aldeia que nunca foi tão global.
Em Portugal, a série foi comprada pela Presença, que publicou a conta-gotas três dos dez volumes já existentes: Agência n.º 1 de mulheres detectives, As lágrimas da Girafa e Moralidade e Raparigas Bonitas.

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Mais snobish são as séries “The 44 Scotland Street” e “The Sunday Philosophy Club”. Ambas passadas em Edimburgo, são um retrato perfeito da maneira de ser e de viver dos escoceses através, no primeiro caso, do microcosmos de um prédio de uma rua onde se cruzam ambições e estilos de vida muito diversos. Cada livro da série é publicado antecipadamente, em capítulos, no jornal The Scotsman.

A protagonista da série “The Sunday Philosophy Club” é Isabel Dalhousie, filósofa, editora de uma revista de Ética Aplicada. Torna-se detective acidentalmente, quando num concerto da orquestra sinfónica um espectador cai do último balcão.




Existe ainda uma outra série, para já encerrada, estando os três volumes condensados no livro The 2 ½ Pillars of Wisdom. O herói chama-se Moritz Maria Von Igelfeld, é professor de Filologia e a sua especialidade são os verbos irregulares portugueses. É uma sátira ao mundo académico.

Como o autor é prolífico e escreve a um ritmo superior aos meus tempos livres, tenho de reserva as duas últimas entregas de “Scotland Street” e espero a ocasião de incluir no rol das compras Amazon as quatro últimas histórias passadas no Botswana e sei que a filósofa Isabel Dalhousie está de volta em Outubro.
É que tenho muito respeito pelas minhas folgas, férias, momentos de tédio ou de insolente preguiça.»



Comentários

3 Responses to “O que lêem os críticos quando não são obrigados a ler (5)”

  1. Gi on Agosto 26th, 2008 15:46

    Boa escolha para leitura de férias :-)

  2. Bibliotecário de Babel – ‘Curdoroy Mansions’ on Setembro 22nd, 2008 16:51

    […] notícia para o Rui Lagartinho (e para todos os que seguiram os seus conselhos): o escritor Alexander McCall Smith está a […]

  3. A Seve on Junho 24th, 2009 14:46

    Seve disse…

    Não estará traduzido para português?

    Chateiam-me estes sábios que não lêem traduções……..manias…do tempo da outra senhora…..

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges