O que lêem os críticos quando não são obrigados a ler (6)

António Guerreiro

António Guerreiro (crítico literário do Expresso):

«Um dos campos de reflexão teórica que mais me mobiliza é a filosofia e a epistemologia da história e as questões da relação entre memória e história. Por isso, um dos livros que levei para ler nas férias foi um dos títulos fundamentais de Reinhart Koselleck (1923-2006), aquele em que o historiador alemão desenvolve a sua teoria da semântica dos tempos históricos. Intitula-se Vergangene Zukunft (Futuro Passado) e foi publicado em 1979.

capa_Vergangene

Foi este mesmo interesse que me levou a um autor inglês da época vitoriana, pouco conhecido e mal amado pelas suas posições altamente reaccionárias: Thomas Carlyle (1795-1881). Este inclassificável escritor escocês escreveu palavras inflamadas a favor da escravatura e reflectiu em termos apologéticos sobre o culto dos heróis. Foi aliás referindo-se a esta concepção de que a história universal era a história dos grandes homens que Borges o classificou como um precursor do nazismo.

capa_Carlyle

De Thomas Carlyle, li um dos seus livros mais estranhos e mais inclassificáveis (nomeadamente quanto ao género: é um ensaio, expõe teorias, mas também tem elementos de ficção) que tem o título latino Sartor Resartus (1833). Este livro foi muito importante para o historiador de arte alemão Aby Warburg. Foi através de Warburg que cheguei a ele.»



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges