Comentários em: O que se perde na tradução http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/ Sobre livros e literatura, autores e editoras. Por José Mário Silva. Sat, 06 Aug 2016 10:41:35 +0000 hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.1 Por: Gerana Damulakis http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20960 Sat, 03 Oct 2009 00:40:40 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=6168#comment-20960 Na humilde opinião de quem, no gênero poesia, só traduziu 3 poemas de Kaváfis, com o conhecimento parco de uma brasileira filha de grego (imaginem!), vou dizer que achei mais grave que “as últimas provas do romance” estivessem onde, na verdade, eram “as provas do último romance”, porque se perdeu o sentido do derradeiro que o poeta pretendeu. Quanto ao “expedidas”, que tal “despachadas”?

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Por: javali http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20959 Fri, 02 Oct 2009 15:48:14 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=6168#comment-20959 Por acaso acho que expedido está bem.

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Por: José Mário Silva http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20950 Thu, 01 Oct 2009 16:03:52 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=6168#comment-20950 Caro Nuno Q.,

É verdade que o trabalho dos tradutores costuma ser rasurado das críticas literárias, mas eu tento, sempre que o espaço me permite, dizer o que penso desse trabalho essencial. Por razões óbvias, uma tradução má, que prejudica a recepção do texto, terá maiores probabilidades de ser referida do que uma boa tradução, que cumpre o seu papel. É um pouco o que acontece aos árbitros de futebol: o melhor elogio que se lhes pode fazer é não falar deles; quer dizer que o jogo decorreu com normalidade e ele, o árbitro, não teve influência no resultado.
Quando uma tradução me parece apenas correcta, geralmente não a menciono. Mas se a tradução for de facto muito boa, só por falta de espaço é que não o refiro. Se quiser confirmar, repare na última frase da minha crítica ao livro de Kazuo Ishiguro, publicada aqui há menos de um mês: http://bibliotecariodebabel.com/criticas/andamentos-crepusculares/.
Quanto a ‘2666’, houve duas razões para a omissão: por um lado, li o livro em provas não finais (ainda com algumas gralhas e sem os ajustes definitivos); por outro, o espaço que tinha mal dava para falar do livro, quanto mais da tradução.
Dito isto, a tradução de ‘2666’ parece-me boa e fiel à linguagem de Bolaño.

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Por: Miguel Filipe M. http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20948 Thu, 01 Oct 2009 12:40:56 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=6168#comment-20948 Prefiro pensá-lo segundo Benjamin. A tradução não é uma derrota, mas uma vitória: a sobrevivência da literatura passa pela leitura, que a tradução por definição é. O efeito «caudas do cometa» pode ser visto sob duas perspectivas: a que assinala uma perda de luz entre cada uma das caudas (cada uma das traduções e das traduções das traduções no caso da tradução indirecta) ou pode ser visto como um espectro de luzes que não tendem a apagar-se mas apenas derivam e podem incendiar, digamos assim, outras galáxias. A tradução tem então um paralelo claro com a tradição. Traduzir é trair: mas isso já bem o sabia Lautréamont . Porque a própria literatura é um crime e uma bênção. A tradução permite a sobrevivência da literatura precisamente na conjugação dessa iniciação no literário – ou seja na tradição, como deferência – com a sua traição – ou seja na novidade, como crime. O que fica dentro e não o que resvala é que é o literário. É na superfície que o crime acontece – onde a tradução actua. Entre continuidade e ruptura se garante assim a prevalência da tradição (o que nos permite dizer que «isto» é literatura), sem que isso implique a inexistência de ruptura, ou seja de leitura. É aqui que entra a tradução como traição, porque «isto» muda.

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Por: Nuno Q. http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20947 Thu, 01 Oct 2009 12:16:34 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=6168#comment-20947 Quando li a crítica ao 2666, reparei no facto de não mencionar o trabalho da tradução, ainda que diga, em determinado momento:

“E é em Santa Teresa que alguns dos múltiplos fios narrativos deste livro se atam, sem nunca oferecerem ao leitor – hipnotizado desde as primeiras páginas pela riqueza estilística da prosa de Bolaño, pela energia pura da sua linguagem – o alívio de uma explicação para o Mal que emerge de todo o lado, como que saído de um «poço negro».”

A «riqueza estilística» e a «energia pura da linguagem» são também fruto, presumo eu (isto é, presumo que leu a versão portuguesa), do esforço dos tradutores que verteram a obra para português. Contudo, nem puma palavra dedicou no texto a esse esforço.

Lamento apenas que, como habitualmente acontece em Portugal, dediquemos mais atenção ao tradutor quando as coisas correm menos bem, e pouquíssima quando correm bem. E eu, que sou leitor habitual do blogue, sinto isso, de forma muito nítida, nas suas críticas.

Um abraço,

Nuno

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Por: Ana Luisa Amaral http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20944 Thu, 01 Oct 2009 09:20:43 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=6168#comment-20944 Tem toda a razão! No caso da poesia não me faz sentido uma tradução em que os poemas não estejam nas duas línguas. Como deve calcular, a opção por a edição não ser blingue não foi minha. De facto, só soube que ela não o era quando o livro estava para sair. Uma pena. E uma injustiça para com um poeta como Updike. Um abraço, ana luísa

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