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	<title>Comentários em: O que se perde na tradução</title>
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	<description>Sobre livros e literatura, autores e editoras. Por José Mário Silva.</description>
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		<title>Por: Gerana Damulakis</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20960</link>
		<dc:creator>Gerana Damulakis</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 00:40:40 +0000</pubDate>
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		<description>Na humilde opinião de quem, no gênero poesia, só traduziu 3 poemas de Kaváfis, com o conhecimento parco de uma brasileira filha de grego (imaginem!), vou dizer que achei  mais grave que &quot;as últimas provas do romance&quot; estivessem onde, na verdade, eram &quot;as provas do último romance&quot;, porque se perdeu o sentido do derradeiro que o poeta pretendeu. Quanto ao &quot;expedidas&quot;, que tal &quot;despachadas&quot;?&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Na humilde opinião de quem, no gênero poesia, só traduziu 3 poemas de Kaváfis, com o conhecimento parco de uma brasileira filha de grego (imaginem!), vou dizer que achei  mais grave que &#8220;as últimas provas do romance&#8221; estivessem onde, na verdade, eram &#8220;as provas do último romance&#8221;, porque se perdeu o sentido do derradeiro que o poeta pretendeu. Quanto ao &#8220;expedidas&#8221;, que tal &#8220;despachadas&#8221;?
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		<title>Por: javali</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20959</link>
		<dc:creator>javali</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 15:48:14 +0000</pubDate>
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		<description>Por acaso acho que expedido está bem.&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Por acaso acho que expedido está bem.
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		<title>Por: José Mário Silva</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20950</link>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 16:03:52 +0000</pubDate>
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		<description>Caro Nuno Q.,

É verdade que o trabalho dos tradutores costuma ser rasurado das críticas literárias, mas eu tento, sempre que o espaço me permite, dizer o que penso desse trabalho essencial. Por razões óbvias, uma tradução má, que prejudica a recepção do texto, terá maiores probabilidades de ser referida do que uma boa tradução, que cumpre o seu papel. É um pouco o que acontece aos árbitros de futebol: o melhor elogio que se lhes pode fazer é não falar deles; quer dizer que o jogo decorreu com normalidade e ele, o árbitro, não teve influência no resultado.
Quando uma tradução me parece apenas correcta, geralmente não a menciono. Mas se a tradução for de facto muito boa, só por falta de espaço é que não o refiro. Se quiser confirmar, repare na última frase da minha crítica ao livro de Kazuo Ishiguro, publicada aqui há menos de um mês: http://bibliotecariodebabel.com/criticas/andamentos-crepusculares/.
Quanto a &#039;2666&#039;, houve duas razões para a omissão: por um lado, li o livro em provas não finais (ainda com algumas gralhas e sem os ajustes definitivos); por outro, o espaço que tinha mal dava para falar do livro, quanto mais da tradução.
Dito isto, a tradução de &#039;2666&#039; parece-me boa e fiel à linguagem de Bolaño.&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Nuno Q.,</p>
<p>É verdade que o trabalho dos tradutores costuma ser rasurado das críticas literárias, mas eu tento, sempre que o espaço me permite, dizer o que penso desse trabalho essencial. Por razões óbvias, uma tradução má, que prejudica a recepção do texto, terá maiores probabilidades de ser referida do que uma boa tradução, que cumpre o seu papel. É um pouco o que acontece aos árbitros de futebol: o melhor elogio que se lhes pode fazer é não falar deles; quer dizer que o jogo decorreu com normalidade e ele, o árbitro, não teve influência no resultado.<br />
Quando uma tradução me parece apenas correcta, geralmente não a menciono. Mas se a tradução for de facto muito boa, só por falta de espaço é que não o refiro. Se quiser confirmar, repare na última frase da minha crítica ao livro de Kazuo Ishiguro, publicada aqui há menos de um mês: <a href="http://bibliotecariodebabel.com/criticas/andamentos-crepusculares/" rel="nofollow">http://bibliotecariodebabel.com/criticas/andamentos-crepusculares/</a>.<br />
Quanto a &#8217;2666&#8242;, houve duas razões para a omissão: por um lado, li o livro em provas não finais (ainda com algumas gralhas e sem os ajustes definitivos); por outro, o espaço que tinha mal dava para falar do livro, quanto mais da tradução.<br />
Dito isto, a tradução de &#8217;2666&#8242; parece-me boa e fiel à linguagem de Bolaño.
<ul></ul>
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		<title>Por: Miguel Filipe M.</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20948</link>
		<dc:creator>Miguel Filipe M.</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 12:40:56 +0000</pubDate>
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		<description>Prefiro pensá-lo segundo Benjamin. A tradução não é uma derrota, mas uma vitória: a sobrevivência da literatura passa pela leitura, que a tradução por definição é. O efeito «caudas do cometa» pode ser visto sob duas perspectivas: a que assinala uma perda de luz entre cada uma das caudas (cada uma das traduções e das traduções das traduções no caso da tradução indirecta) ou pode ser visto como um espectro de luzes que não tendem a apagar-se mas apenas derivam e podem incendiar, digamos assim, outras galáxias. A tradução tem então um paralelo claro com a tradição. Traduzir é trair: mas isso já bem o sabia Lautréamont . Porque a própria literatura é um crime e uma bênção. A tradução permite a sobrevivência da literatura precisamente na conjugação dessa iniciação no literário – ou seja na tradição, como deferência – com a sua traição – ou seja na novidade, como crime. O que fica dentro e não o que resvala é que é o literário. É na superfície que o crime acontece - onde a tradução actua. Entre continuidade e ruptura se garante assim a prevalência da tradição (o que nos permite dizer que «isto» é literatura), sem que isso implique a inexistência de ruptura, ou seja de leitura. É aqui que entra a tradução como traição, porque «isto» muda.&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Prefiro pensá-lo segundo Benjamin. A tradução não é uma derrota, mas uma vitória: a sobrevivência da literatura passa pela leitura, que a tradução por definição é. O efeito «caudas do cometa» pode ser visto sob duas perspectivas: a que assinala uma perda de luz entre cada uma das caudas (cada uma das traduções e das traduções das traduções no caso da tradução indirecta) ou pode ser visto como um espectro de luzes que não tendem a apagar-se mas apenas derivam e podem incendiar, digamos assim, outras galáxias. A tradução tem então um paralelo claro com a tradição. Traduzir é trair: mas isso já bem o sabia Lautréamont . Porque a própria literatura é um crime e uma bênção. A tradução permite a sobrevivência da literatura precisamente na conjugação dessa iniciação no literário – ou seja na tradição, como deferência – com a sua traição – ou seja na novidade, como crime. O que fica dentro e não o que resvala é que é o literário. É na superfície que o crime acontece &#8211; onde a tradução actua. Entre continuidade e ruptura se garante assim a prevalência da tradição (o que nos permite dizer que «isto» é literatura), sem que isso implique a inexistência de ruptura, ou seja de leitura. É aqui que entra a tradução como traição, porque «isto» muda.
<ul></ul>
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		<title>Por: Nuno Q.</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20947</link>
		<dc:creator>Nuno Q.</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 12:16:34 +0000</pubDate>
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		<description>Quando li a crítica ao 2666, reparei no facto de não mencionar o trabalho da tradução, ainda que diga, em determinado momento:

&quot;E é em Santa Teresa que alguns dos múltiplos fios narrativos deste livro se atam, sem nunca oferecerem ao leitor – hipnotizado desde as primeiras páginas pela riqueza estilística da prosa de Bolaño, pela energia pura da sua linguagem – o alívio de uma explicação para o Mal que emerge de todo o lado, como que saído de um «poço negro».&quot;

A «riqueza estilística» e a «energia pura da linguagem» são também fruto, presumo eu (isto é, presumo que leu a versão portuguesa), do esforço dos tradutores que verteram a obra para português. Contudo, nem puma palavra dedicou no texto a esse esforço.

Lamento apenas que, como habitualmente acontece em Portugal, dediquemos mais atenção ao tradutor quando as coisas correm menos bem, e pouquíssima quando correm bem. E eu, que sou leitor habitual do blogue, sinto isso, de forma muito nítida, nas suas críticas.

Um abraço,

Nuno&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Quando li a crítica ao 2666, reparei no facto de não mencionar o trabalho da tradução, ainda que diga, em determinado momento:</p>
<p>&#8220;E é em Santa Teresa que alguns dos múltiplos fios narrativos deste livro se atam, sem nunca oferecerem ao leitor – hipnotizado desde as primeiras páginas pela riqueza estilística da prosa de Bolaño, pela energia pura da sua linguagem – o alívio de uma explicação para o Mal que emerge de todo o lado, como que saído de um «poço negro».&#8221;</p>
<p>A «riqueza estilística» e a «energia pura da linguagem» são também fruto, presumo eu (isto é, presumo que leu a versão portuguesa), do esforço dos tradutores que verteram a obra para português. Contudo, nem puma palavra dedicou no texto a esse esforço.</p>
<p>Lamento apenas que, como habitualmente acontece em Portugal, dediquemos mais atenção ao tradutor quando as coisas correm menos bem, e pouquíssima quando correm bem. E eu, que sou leitor habitual do blogue, sinto isso, de forma muito nítida, nas suas críticas.</p>
<p>Um abraço,</p>
<p>Nuno
<ul></ul>
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	<item>
		<title>Por: Ana Luisa Amaral</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/comment-page-1/#comment-20944</link>
		<dc:creator>Ana Luisa Amaral</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 09:20:43 +0000</pubDate>
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		<description>Tem toda a razão! No caso da poesia não me faz sentido uma tradução em que os poemas não estejam nas duas línguas. Como deve calcular, a opção por a edição não ser blingue não foi minha. De facto, só soube que ela não o era quando o livro estava para sair. Uma pena. E uma injustiça para com um poeta como Updike. Um abraço, ana luísa&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Tem toda a razão! No caso da poesia não me faz sentido uma tradução em que os poemas não estejam nas duas línguas. Como deve calcular, a opção por a edição não ser blingue não foi minha. De facto, só soube que ela não o era quando o livro estava para sair. Uma pena. E uma injustiça para com um poeta como Updike. Um abraço, ana luísa
<ul></ul>
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