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O regresso de Nelson de Matos

Num momento em que as principais editoras portuguesas se vão agrupando, num processo de concentração empresarial ainda em curso, o gesto de Nelson de Matos pode parecer romântico: criar de raiz uma nova chancela, por sua conta e risco, tão pessoal que até lhe dá o seu nome (na linha do que fez Christian Bourgois, recentemente falecido).
Em artigo de Ana Marques Gastão, publicado hoje no Diário de Notícias, o antigo editor da Dom Quixote e da Ambar explica-se:

«Quis que o trabalho editorial tivesse um nome, uma assinatura. Não é nada de invulgar, lá fora usa-se. Em Portugal também, em tempos, se usou. Estou a dar a cara por este projecto.
(…) A concentração de editoras que tem vindo a verificar-se abre um espaço para pequenos trabalhos individualizados em que a edição é feita de uma forma mais personalizada.
(…) Estou a avançar para este projecto sozinho. Vamos ver como responde o mercado. Publico os livros e aguardo que os leitores os acompanhem.»

As Edições Nelson de Matos lançarão a sua primeira obra no final de Fevereiro (O Lavagante, ficção inédita de José Cardoso Pires) e abrangem cinco colecções: Mil Horas de Leitura (conto, novela, romance e “talvez poesia”), História Hoje (História recente, biografias, reportagens), Pensar Navegar (ensaio de ciências humanas), Outras Direcções (tempos livres) e Textos Literários (apoio ao ensino, dirigida por António Melo).



Comentários

9 Responses to “O regresso de Nelson de Matos”

  1. Ana Cristina Leonardo on Janeiro 29th, 2008 14:12

    o gesto de Nelson de Matos pode parecer romântico

    romântico porquê? porque os românticos tinham o culto do suicídio? é que se é isso, não podemos estar em desacordo maior.

    • José Mário Silva on Janeiro 29th, 2008 14:46

      Não, Ana Cristina. Romântico no sentido em que se opõe ao racionalismo e se centra no indivíduo, na sua subjectividade. Só isso.
      Num momento em que tantos editores acham que o mais sensato (ou rentável) é ficar debaixo do chapéu de uma holding, logo à mercê de um poder que os ultrapassa, fundar uma editora tão ostensivamente pessoal parece-me o gesto romântico por excelência.

      • Ana Cristina Leonardo on Janeiro 29th, 2008 15:05

        lá estamos outra vez de acordo… ora que chatice, nem uma polemicazinha para animar

        • Bibliotecário de Babel » Blog Archive » Desacordo ortográfico on Fevereiro 2nd, 2008 10:34

          [...] É daqui a nada: Malaca Casteleiro (membro da Academia de Ciências de Lisboa), Vasco Graça Moura (escritor e eurodeputado), José Eduardo Agualusa (escritor) e Ivo Castro (linguista) discutem a ratificação do famoso e polémico Acordo Ortográfico, na Casa Fernando Pessoa (21h30), com moderação de Carlos Vaz Marques. O editor convidado a falar dos livros alheios é Nelson de Matos. [...]

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          «Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges