adobe photoshop cs3 extended tutorial Adobe Creative Suite 5 Web Premium Download adobe photoshop cs 2 download adobe photoshop elements 2.0 windows vista Adobe InCopy CS5 for Mac Download adobe acrobat 8 cheap adobe creative suite premium cs2 win Adobe Photoshop Lightroom 3 Download convert word to adobe acrobat adobe photoshop 5 0 free download Adobe Dreamweaver CS5 Download cropping jpegs in adobe illustrator 9.0 adobe illustrator number serial Adobe Creative Suite 5 Design Premium Download adobe photoshop for dummies dvd adobe acrobat v6.0 professional tryout Adobe Photoshop CS5 Extended Download adobe acrobat viewer 6 free adobe acrobat 7 reader Adobe Creative Suite 5 Master Collection Download adobe photoshop cs free trial adobe acrobat 7.0 professional crack download Adobe Acrobat 9 Pro Extended Download adobe store adobe acrobat capture adobe acrobat error 1321 Adobe Premiere Pro CS5 Download adobe photoshop product registration key adobe incopy cs v3.0 Adobe Illustrator CS5 Download adobe photoshop 4.0 tutorial

Olímpio

De todos os fazedores de livros, ele era o mais discreto. Estava lá atrás, nos bastidores, a meter em página os textos dos outros, a compor as manchas gráficas, a zelar pela harmonia visual que não passa despercebida aos leitores mais exigentes. Aqueles leitores que provavelmente liam o seu nome, em letras minúsculas, nas fichas técnicas dos livros da & Etc, da Tinta da China, da Averno ou das edições de teatro dos Artistas Unidos.
Chamava-se Olímpio Ferreira, tinha quarenta anos, dois filhos pequenos e uma espécie de reserva nos contactos sociais que ainda hoje ignoro se nascia da timidez ou da humildade. Ao apresentá-lo no extinto blogue Barnabé, Rui Tavares apelidou-o de “nosso homem da sombra” e acrescentou: “É o gajo mais culto do Barnabé, razão pela qual diz que não sabe se vai escrever.” Não escreveu muito, de facto. Mas o que escreveu deixou-nos com pena de que o “homem da sombra” nunca tivesse desejado chegar-se mais à luz.
Agora que me deram a notícia, com a violência absurda do que não conseguimos compreender, só me ocorrem imagens: encontros por acaso em livrarias, manhãs de sábado no jardim do Príncipe Real, tardes na Feira do Livro com carrinhos de bebé, sacos cheios de preciosidades e uma alegria que parecia estar a salvo de tudo (mas não estava).

[Havia outros posts previstos para hoje, nomeadamente as inevitáveis listas dos melhores livros de 2007 para o BdB, mas tudo isso terá que ficar para amanhã. Não consigo mesmo escrever mais. Desculpem.]



Comentários

12 Responses to “Olímpio”

  1. Rui Bebiano on Janeiro 1st, 2008 1:37

    Que notícia para esta noite! O Olímpio foi meu aluno quando andou por Coimbra, aí pelos finais dos anos 80. Guardo dele uma imagem de discrição e de curiosidade por tudo, mas também de afecto. No fundo, o mais importante de tudo.

    • Fernando Venâncio on Janeiro 1st, 2008 13:14

      Zé Mário,

      ‘Este’ era o melhor post que tinhas para hoje. Não pela morte do Olímpio, mas por teres de recordá-lo.

      Era um homem bom. Que se apagava (conheci-o de raspão na Cotovia) e de que eu só sabia que tudo quanto fazia o fazia bem.

      • Suzana Ramos on Janeiro 2nd, 2008 17:04

        Zé, podia dizer tantas coisas, mas hoje não. Trabalhei com o Olímpio nas edições Cotovia, há muito tempo, durante alguns anos. O Olímpio tinha um sentido de humor brilhante. Lembro-me sempre da forma como subia as escadas da editora, em bicos de pés e em câmara lenta, como se não quisesse ser visto nem ouvido. E ríamos muito. Era mesmo um homem de sombra, mas não há homens de sombra capazes de ter tanta luz. E também era um esteta com uma educação extrema. Foi provavelomente o melhor livreiro de Lisboa e sabia sempre tudo – títulos, autores, editoras, datas de saída, o que quer que fosse. O Olímpio era naturalmente humilde, discreto e sábio porque vivia de livros em todos os sentidos. Prefiro pensar que é ele quem faz os livros de deus e dos anjos, se existirem.

        • José Mário Silva on Janeiro 2nd, 2008 21:47

          Suzana, há quanto tempo…
          É verdade que o mundo não deixa de girar quando os amigos morrem de repente, a vida chama-nos de muitas maneiras, obriga-nos a seguir em frente, empurra-nos para as coisas de todos os dias: comprar iogurtes no supermercado, ir de metro para o trabalho, dar banho aos filhos, responder a e-mails. Mas há certos vazios que se demoram, uma tristeza que não passa mesmo quando à volta toda a gente ri.

          • Álvaro Garrido on Janeiro 5th, 2008 19:14

            Passei muitas noites divertidas com o Olímpio em cafés de Coimbra, em bares e na rua, sempre em rodas de amigos cujo traço mais comum talvez fosse o de gostarmos de rir. Fui quase colega de curso do Olímpio. Creio que não eramos do mesmo ano do Curso de História. A minha homenagem ao Olímpio faço-a com aquilo que de mais forte guardo dele: um invulgar sentido de humor, uma capacidade singular para brincar perversamente com coisas seríssimas nas quais ele acreditava (em Deus, por exemplo) e uma capaciadde de expressão que fazia dele um actor sem igual. Só pode ter sido minha a falha de não ter sido ainda mais amigo do Olimpio. Um abraço pá! Álvaro

            • Daniel Abrunheiro on Janeiro 7th, 2008 19:40

              O Olímpio é.

              • PARDAL on Janeiro 8th, 2008 11:08

                Fomos colegas na Secundária (em Águeda), descobrimos a Rádio (ainda na forma Pirata) na Botaréu, aprendemos Xadrez juntos, e tertuliávamos sobre politica. Eu era o “esquerdalho”. Em Coimbra encontrávamo-nos no bar da AAC e por vezes nos corredores da RUC. Estive com o Olimpio uma única vez nos últimos 16 anos. Foi em Aveiro próximo de uma …. livraria.

                • TERESA on Janeiro 10th, 2008 11:33

                  Olimpio
                  Conheci-o no Ciclo Preparatório Fernando Caldeira em Águeda. Fomos colegas de turma até ao 12ºAno. Tinhamos em comum a nota em Educação Fisica. Um aluno brilhante…um amigo discreto e timido…e no entanto como nos riamos no átrio da Escola Secundária de Águeda, eu, ele, a Inês Cayres…

                  • Olímpio Ferreira | 1967-2007 « Grupo de Pais da Fundação D. Pedro IV on Janeiro 14th, 2008 12:17
                  • Bibliotecário de Babel – Lembrar o Olímpio on Março 8th, 2008 9:24

                    [...] Padaria do Povo (Rua Luís Derouet, 20, 1º, Campo de Ourique, Lisboa). Um grupo de amigos do Olímpio Ferreira vai evocá-lo com textos, versos e outras formas de memória. Será igualmente posto a circular um [...]

                    • pedro paixäo on Maio 8th, 2008 13:15

                      Só hoje, tão tarde, soube de uma pessoa por quem tinha a maior admiração. choro a sua ausência

                      pedro paixão

                      • Bibliotecário de Babel – Um ano sem o Olímpio on Janeiro 5th, 2009 0:39

                        [...] de balizas que nos orientem, pelo menos quando olhamos para trás. Há precisamente um ano, perdemos o Olímpio Ferreira (e cabe muita gente dentro deste plural). A sua ausência, não sei porquê, magoou-me mais do que [...]

                        Leia os últimos textos publicados
                        «Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges