Os títulos das sessões

Nas Correntes d’Escritas, os motes lançados pelos organizadores são sempre um desafio. Leonardo Padura perguntou-se mesmo onde raio vão a Manuela Ribeiro e o Francisco Guedes buscar aquelas frases que tantas vezes encostam à parede os autores convidados. “Devem começar a pensar nelas logo que uma edição acaba”, rematou o cubano. Carme Riera foi ainda mais longe: “Cada um destes títulos parece um verso e acho que se os juntássemos todos conseguiríamos fazer um poema.”
A mim, pareceu-me uma óptima ideia. Eis como poderia ficar a coisa, com acrescentos mínimos de pontuação:

CORRENTES D’ESCRITAS

A meu favor tenho a poesia,
a lenta volúpia de escrever
poesia: a bem dita e a mal dita.
Escrever é um gesto perverso,
dar a palavra à voz.
A literatura rasga a realidade,
a rua faz o livro,
cada homem é uma língua.
Sou do tamanho do que escrevo.



Comentários

2 Responses to “Os títulos das sessões”

  1. fallorca on Fevereiro 19th, 2008 15:28

    😉

  2. Ana on Fevereiro 19th, 2008 16:00

    :)
    fiz algo semelhante, não tão puro (no sentido em que coloquei mais palavras que as contidas nos títulos das sessões), também impelida por essa intervenção da Carme Riera.
    Fui apenas às duas últimas sessões. Talvez consiga fazer o pleno para o ano.
    De qualquer forma graças ao Bibliotecário de Babel e ao 1979 parece-me que dei um salto a cada uma das sessões.
    Obrigada:)

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges