Outro escritor na Cinemateca

A nomeação do Pedro Mexia para subdirector da Cinemateca Portuguesa parece-me uma excelente notícia. E digo-o — não escondendo ser seu amigo — apenas porque estou certo de que fará um excelente trabalho no velho casarão da Rua Barata Salgueiro.
O Pedro é provavelmente o melhor crítico literário português sub-40, um notável poeta, cronista e blogger, um intelectual sólido com uma cultura abrangente e, sobretudo, alguém que não se limita a reflectir o air du temps, antes o analisa, critica, pensa. Além disso, é um cinéfilo na verdadeira acepção do termo: alguém que ama o cinema. Nunca esquecerei as muitas tardes que passei com ele, numa tertúlia de amigos, a discutir Scorsese, Ozu, Bergman ou Rohmer. É verdade que do seu currículo consta a tradução de um livro de Bresson (Notas sobre o Cinematógrafo) e vários anos de crítica cinematográfica no Diário de Notícias, mas a mim bastava-me a sua cinefilia para compreender e saudar o convite que lhe fez Bénard da Costa. Mais: se a ideia era escolher alguém que não fosse do meio, alguém exterior à teia de interesses e capelinhas que envolvem o cinema português, olho à volta e não vejo outra figura que melhor possa cumprir esse papel.
Uma palavra ainda para o novo ministro da Cultura. Ao nomear Pedro Mexia, um opinion maker que nunca escondeu o seu alinhamento ideológico com a direita conservadora, José António Pinto Ribeiro mostra a sua abertura, a sua independência política e a sua inteligência estratégica. Porque se quiser realmente, como afirmou logo de início, “fazer muito com pouco” (os míseros 0,4% do Orçamento do Estado), tem que chamar ao serviço público as pessoas mais capazes e não os eventuais boys que se ponham a jeito para os lugares.
Estão ambos de parabéns, o Pedro e o Ministro.
Agora mãos à obra.
Comentários
3 Responses to “Outro escritor na Cinemateca”
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“É verdade que do seu currículo consta a tradução de um livro de Bresson (Notas sobre o Cinematógrafo) e vários anos de crítica cinematográfica no Diário de Notícias, mas a mim bastava-me a sua cinefilia para compreender e saudar o convite que lhe fez Bénard da Costa.”
De cinéfilos cultos estão os cemitérios cheios, e, se me permite, uma consulta ao blogue de PM deixa ver muitos buracos nessa suposta cinefilia. Creio até que PM é mais articulado quando versa sobre a música popular anglo-saxónica e americana dos anos 80 do que sobre cinema. Convenhamos que é pouco para que se justifique mais um cheque chorudo saído do erário público.
Pouco sei do funcionamento da Cinemateca, (então cala-te, pensará quem me lê); oh oh só que agora está mesmo a apetecer-me falar daquilo que mal conheço, ainda que goste muito de cinema. Ao Pedro Mexia, bom trabalho e boa sorte. O ter sido ele, uma escolha, traz consigo a estafada noção de que não se agrada a todos. Pois não, por isso é que as pessoas mudam. Gostava de o ouvir em programas que participou, e de o ler em crónicas – muito giras, muito sui generis , em críticas e em alguma poesia. E, agora, vamos ver o que é que o homem faz. (Lá de publicidade percebo eu).
Oi José, tudo bem?
Bacana o seu post.
Escuta, você sabe me dizer se existe algum repositório virtual de dados de livros brasileiros (ISBN, Título, Autor, essas coisas)? Sei que em Portugal a Biblioteca Nacional tem o seu repositório, mas nada encontrei no Google sobre um possível repositório brasileiro.
Obrigado!