Pó dos livros

A dada altura, ainda pensei: vou buscar um pano e tiro algum do pó acumulado nos livros ao longo dos anos. Depois percebi que a tarefa seria hercúlea e suficientemente hercúlea já ela era (se lhe juntarmos as muitas «escolhas de Sofia»: este fica ou vai?). Por isso deixei-os ir assim mesmo, com pó na esquina das folhas, memória do sítio de onde vieram, mesmo que depois fiquem impecavelmente limpos nas novas estantes que os esperam.



Comentários

3 Responses to “Pó dos livros”

  1. Maria João Belchior on Setembro 24th, 2011 16:22

    Só podemos mesmo dizer – OBRIGADA! Ainda bem que vieram “assim mesmo”.

  2. Michelle Siqueira on Setembro 24th, 2011 17:12

    Divertida a descrição do dilema na seleção dos livros. Imaginei que fosse difícil. Se um dia eu tivesse 600 livros, não sei se os daria assim. Bom, pelo visto é tudo para o bem dos livros. A preocupação com o pó realmente não faria sentido, não fosse uma demonstração última de carinho pelos livros. Fica o pó valendo como uma assinatura.

  3. André on Setembro 25th, 2011 20:25

    Em filologia há, como em arqueologia, maneira de datar relativamente um texto ou um manuscrito. Por exemplo, se um texto refere um determinado acontecimento histórico, podemos datar com segurança a sua data mais recuada possível.

    Os livros da minha biblioteca, sobretudo os de lombada clara, também podem ser datados relativamente. Os adquiridos e arrumados pelo menos 1 ano antes de 2001, quando deixei de fumar, estão amarelados de nicotina. E quanto mais amarelados, naturalmente mais antigos.

    Quanto ao pó, nunca limpo, pela mesma razão pela qual não faço ideia de quantos livros tenho: não tenho tempo para os contar, menos ainda para os limpar.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges