Poesia Incompleta no ‘Público’

Isabel Coutinho escreveu hoje, na edição em papel do Público, sobre a Poesia Incompleta. Eis um excerto:

«Poesia Incompleta é o nome da “primeira livraria portuguesa de poesia”, que abriu ontem em Lisboa, (…) a um passo da Assembleia da República e do bar Finalmente, numa casa que até tem um quintal com uma buganvília e uma pequena hera que veio da Grécia pela mão de Hélia Correia.
(…) Este é um sítio aonde se vai para comprar livros, mas também para conversar com Changuito, jovem livreiro com sentido de humor aguçado, que aprendeu a gostar de poesia com a avó e também com a mãe, a actriz Maria do Céu Guerra. (…) Aos 34 anos, perdeu a paciência e farto de ir a livrarias onde lhe diziam “esse livro está esgotado” ou “esse livro não existe”, resolveu passar de leitor a vendedor de livros.
(…) Para o projecto ser viável, tem que vender cinco livros por dia e Changuito acredita que isso é possível: “Se houvesse uma livraria destas com a qual eu não tivesse nada a ver, passaria aqui pelo menos uma vez por semana.”»

Ontem, ao sair da livraria, trouxe comigo quatro livros, todos da remessa que o Changuito foi buscar a Nova Iorque no início do mês: os Selected Poems de Stephen Spender (Random House, edição de 1964); os poemas de Ambrose Bierce (Bison Books); All of Us – The Collected Poems, de Raymond Carver (Vintage Books); e The Chinamen, de David Mamet (The Overlook Press). Se soubesse que é preciso vender cinco livros por dia, teria trazido mais um.



Comentários

7 Responses to “Poesia Incompleta no ‘Público’”

  1. nuno on Novembro 26th, 2008 11:39

    Eu trouxe mais uns quantos e nada baratos. Por ontem a quota foi ultrapassada.

  2. changuito on Novembro 26th, 2008 12:26

    caro José Mário,
    obrigado muito pelas palavras de hoje e pelas de ontem. as imagens estão óptimas.
    deu-me muito gozo ver os quatro livros bem entregues.
    um abraço,
    changuito

    Ps sobre a quantidade de livros:
    caro nuno,
    que a quota não o iniba.
    como diria qualquer jardim gonçalves, mais milhão menos milhão…

  3. Filipa Castro on Novembro 26th, 2008 14:27

    não faz mal, eu depois trouxe dois.

  4. Jorge Pereira on Novembro 26th, 2008 14:36

    Desejo o maior sucesso a livraria. Eu vivo no Massachusetts e aqui em Cambridge existe um livraria somente dedicada a poesia – Grolier Bookshop. Uma visita a Grolier e sempre uma aventura e uma oportunidade para descobrir coisas novas. Espero que o mesmo aconteca com os clientes dessa livraria em Lisboa.

    (Desculpem -me a falta de acentos – teclado americano)

  5. João on Novembro 26th, 2008 16:15

    Hoje vendeu mais um, uma excelente edição brasileira dos poemas de Michelangelo (sim, o escultor). Nem na livraria italiana (mesmo ali ao pé) me arranjaram, mas pelos vistos esta Poesia Incompleta tem de tudo!

  6. Luís Graça on Novembro 27th, 2008 8:18

    Quer dizer, estava eu preocupado em não divulgar que o Mário Guerra era conhecido por Changuito e vai-se a ver e “toma lá fresquinho, que esta é a nova livraria do Changuito”.

    Eu acho que ele devia usar o nome de Mário Guerra nesta nova livraria, que tem um nome normal.

    Na outra (Da Mariquinhas), mais Changuito menos Changuito não atrapalhava.

    Quando começarem a pagar-me, em vez de me darem tangas, eu prometo que vou lá tentar atingir a quota dos cinco livros por dia.

    Ó Changuito, não tens medo que a proximidade da AR comece a desbotar os livros, por falta de espírito poético dos políticos, salvo raras excepções?

  7. carmin dauro on Janeiro 12th, 2009 22:44

    Rasgo

    Acelero velozmente
    Numa noite fria…
    Abro o vidro
    E recebo de repente,
    O vento gelado
    Que no vidro varria…
    Meu rosto geme,
    Meu nariz fica corado,
    Meu cabelo voa…
    Minha voz não canta, geme
    Ao som da música que ouço…
    Rasgo a noite e o caminho
    Na estrada deserta
    Onde passo,
    Veloz e destemida…
    Sem rumo, sem sorte,
    Sigo na vida
    Ou encontro a morte…
    Rasgo o tempo
    No desafio de um segundo,
    E vivo o momento
    De estar só, no mundo…
    Rasgo, mas não domino
    E não sei como termino!

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges