Prémio Camões 2013 para Mia Couto

Nem Portugal, nem Brasil. O Prémio Camões deste ano, no valor de 100 mil euros, vai para Moçambique e fica muito bem entregue a Mia Couto, um daqueles escritores que não se limita a escrever numa língua (a nossa, comum), antes inventa o seu próprio idioma literário. Em 25 anos do prémio, o único moçambicano distinguido fora Craveirinha, em 1991.
A propósito do seu último romance publicado em Portugal, A Confissão da Leoa (Caminho), tive a oportunidade de entrevistar o escritor, que entre outras coisas me disse: «Há uma parte de mim que termina quando termina a história. Sei que estou a romantizar o assunto, sei que isto é ilusório, mas de alguma forma eu sinto que não sou o autor do livro, que apenas transcrevo e a minha mão é usada para dar expressão a outras vozes. Agora, há qualquer outra coisa que eu tenho de procurar, porque isto é um vício. Eu só me sinto vivo se estiver inventando a minha própria vida.»



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges