Prémio Daniel Faria para José Luís Peixoto

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Já é oficial: a edição de 2008 do Prémio de Poesia Daniel Faria — instituído pela Câmara Municipal de Penafiel, as Quasi Edições e os herdeiros do autor de Explicação das Árvores e de Outros Animais — distinguiu Gaveta de Papéis, de José Luís Peixoto.
Contactado pelo Bibliotecário de Babel, o responsável máximo da editora que promove o prémio, Jorge Reis-Sá, descreveu a surpresa que tomou conta do júri (de que também fizeram parte Francisco José Viegas, Tito Couto e Vera Vouga) ao abrir o envelope relativo à escolha final, verificando só então que atrás do pseudónimo se escondia um escritor de primeiro plano, curiosamente já com um livro de poesia editado nas Quasi (A Criança em Ruínas, sete edições desde 2001). “Foi mesmo uma grande surpresa, mas uma surpresa boa, porque vem dar força e credibilidade ao prémio. Enquanto editor, este desfecho enche-me de alegria e orgulho, além de que engrandece o nome do Daniel Faria”, disse Reis-Sá.
A decisão do júri, tomada por “unanimidade total e veemente”, foi a mais rápida de sempre. “Em dois minutos resolvemos o assunto, porque percebemos logo que o livro do Peixoto era, de muito longe, a primeira escolha para todos os jurados. Durante a leitura dos originais, já tinha suspeitado que se tratava de um autor experiente, com grande domínio da linguagem e das técnicas de escrita, e não alguém que envia o seu primeiro livro.”
Reis-Sá salienta ainda que o prémio não tem qualquer compensação financeira, consistindo apenas na publicação do livro pelas Quasi, algo que José Luís Peixoto conseguiria sempre, sem necessidade de passar pelo crivo de um júri. “Gostava de salientar a extraordinária humildade do Zé Luís, que ao querer ficar associado a este prémio, e ao nome do Daniel Faria, correu o risco de perder para um autor desconhecido ou, pior ainda, de receber uma mera menção honrosa.”
A edição de Gaveta de Papéis está prevista para o próximo mês de Março.

***

Entretanto, José Luís Peixoto acaba de ser igualmente distinguido em Espanha. O prémio Cálamo - Otra Mirada 2007, para livros de ficção estrangeira editados no país vizinho, foi para o romance Cementerio de Pianos, publicado pela editora El Aleph.

[Foto: JMS]

Comentários

18 Responses to “Prémio Daniel Faria para José Luís Peixoto”

  1. Pedro Afonso on Janeiro 31st, 2008 9:56

    É, com certeza, muito bom para o prémio ser um autor “conhecido” a ganhá-lo. Será bom para a literatura? Isto é, um prémio que é já bastante considerado necessitará de ser entregue a um autor conhecido? Creio que perde algum interesse que vinha tendo ao lançar novos autores (por exemplo Rui Costa e Catarina Nunes de Almeida) de qualidade. Evidentemente que apenas o autor, e a qualidade dos seus textos, poderão ser “responsabilizados por isto.
    Quanto a mim, acho um pouco triste que um autor que não terá dificuldade em publicar onde quer que seja venha ocupar o espaço aberto por este prémio.
    De qualquer das formas, parabéns…

    • Ana Vidigal on Janeiro 31st, 2008 22:24

      Nada a respeito desta atribuição lhe parece suspeito?
      É este o tipo de jornalismo que o sr. persegue, dividido entre a laude e a congratulação?
      Arranjou poiso certo no Expresso.

      • João on Janeiro 31st, 2008 22:51

        Realmente, com tipos assim a concorrerem, como é que eu podia ganhar?

        • Kátia on Fevereiro 1st, 2008 19:41

          Acredito que para os verdadeiros amantes da literatura,o fato de o prêmio ser concedido a um escritor conhecido ou desconhecido pouco importa. É relevante que os concorrentes tenham usado pseudônimos,o que atesta a seriedade e a isenção dos organizadores. Meus caros, é tão mesquinho estarem a duvidar ou a reclamar. Façam melhor: dediquem-se a escrever o melhor que puderem. Um dia, finalmente, poderão ser merecedores deste e de tantos outros prêmios.

          • José Mário Silva on Fevereiro 2nd, 2008 15:53

            Cara Ana Vidigal,

            O que é que há de suspeito nesta atribuição? Diga você. Um autor conhecido enviou um trabalho sob pseudónimo e ganhou o prémio. Quis colocar-se à prova numa prova cega, o que revela coragem. O júri deu-lhe o prémio mesmo sem saber que era ele o autor, o que revela exigência e rigor na escolha. Devolvo-lhe a pergunta: onde é que está o problema?
            Quanto ao resto do comentário, nem merece resposta. Não tenho pachorra para teorias da conspiração.

            • Ana Vidigal on Fevereiro 2nd, 2008 16:53

              O que é que não há de suspeito nesta atribuição?
              José Luis Peixoto é um autor editado pelas Quasi, se ele não teve o discernimento necessário para não enviar a concurso um original seu pelo menos do juri seria de esperar mais dois palmos de testa. Conheço quem, em relação a este mesmo prémio, e ante a perspectiva de ser a um curto trecho editado pela casa em questão, tenha retirado um seu original enviado a concurso. Chama-se a isto ética, já ouviu falar?
              Seria um pouco como o Luís Quintais ganhar um prémio instituido pela Cotovia ou o José Miguel Silva ( a quem reconheço mais idoneidade que isso) ser o grande vencedor de um concurso com a chancela da Averno. Não lhe soaria estranho? A si o que é que seria preciso para que algo começasse a soar-lhe estranho, o Nelson de Matos ganhar por unanimidade o galardão
              Nelson de Matos edições?
              E depois o ênfase todo posto no pseudónimo. O sr. conhece muitos prémios literários onde se venha sequer a saber o pseudónimo utilizado pelo vencedor? O Amadeu Baptista ganhou recentemente uma serie deles? Conhece algum dos seus pseudónimos a concurso? Eu não.
              Que o sr. ande (ou prefira andar) com os olhos fechados é lá consigo. Agora não queira companhia.

              • Ana Vidigal on Fevereiro 3rd, 2008 12:15

                É eloquente o seu silêncio.

                • José Mário Silva on Fevereiro 3rd, 2008 14:45

                  Cara Ana,

                  Pode ler o meu silêncio como quiser. Já atrás escrevi que não tenho paciência para teorias da conspiração e todos os seus argumentos vão nesse sentido. Quando diz que tenho os olhos fechados, afinal o que pretende insinuar? Que houve marosca no prémio? Que o júri já sabia que o JLP ia concorrer e por isso o escolheu por unanimidade? Acha que o JLP precisava disso? Acha que a Quasi precisava disso (ainda por cima num prémio sem contrapartida financeira)? Parece-me que a cegueira, aqui, é toda sua.
                  Além disso, conheço muito bem o JLP, sou amigo dele há muitos, muitos anos (antes ainda da publicação do primeiro livro, em edição de autor), e conheço o carácter dele e o seu modo de estar na vida. Quando tive conhecimento da atribuição do prémio e do modo como ele, JLP, se pôs à prova, imaginei logo que os abutres do costume, cheios de inveja e frustração, começariam desde logo a pairar.
                  Se pretende continuar por aqui no seu voo aos círculos, Ana, lançando suspeitas a eito sobre pessoas que me merecem toda a consideração (tanto o escritor como o júri), esteja à vontade. Não espere é que eu perca mais tempo a responder às suas atoardas.

                  • Kátia on Fevereiro 4th, 2008 10:04

                    Bravo, José Mário! Penso exatamente como você.

                    • Rui Alberto on Fevereiro 8th, 2008 21:25

                      Sinceramente não sou grande adepto de teorias da conspiração na vida real, deixo-as para a ficção, mas efectivamente quando recebi esta notícia não pude deixar de me sentir um pouco desconfortável. Não sendo de todo dor de cotovelo porque nem sequer participei e reconheço em José Luís Peixoto um escritor de qualidade, comprometido a fazer verdadeiramente Literatura, quer se goste dele quer não, não me deixa de desapontar um pouco a sua participação nem concurso que tem servido de incentivo a muitos jovens. Ele terá tido as suas razões, desconheço-as, mas sendo ele próprio patrono de um prémio que visa um público jovem e me parece muito activo na questão de apoiar estes, a situação não me parece de todo feliz. Faz-me lembrar um pouco a situação de José Jorge Letria, por exemplo no recente concurso Nuno Júdice, onde o regulamento era explicíto quando dizia “com o intuíto de incentivar os jovens à prática da escrita”.
                      Não ponho em causa que o seu trabalho tenha sido o melhor, nem me quero inserir no meio dos “abutres”, mas como já dizia o outro, opinions are like ass holes, everyone has one.

                      • Eva on Fevereiro 8th, 2008 22:48

                        Estou de acordo, para mim também é tudo demasiado ridículo… O objectivo do Prémio não era revelar novos autores? E porquê escolher um “poeta” (??????????) que já é publicado pela Quasi? E como é que um tipo como o Peixoto, que já tem tudo o que quer, vai concorrer a este Prémio, tirando o único lugar ao sol a que um jovem poeta desconhecido pode aspirar? É triste que a ética destas pessoas seja tão escassa. Depois, lá está, a minha opinião é que o Peixoto será certamente um óptimo rapaz, mas é muito fraquinho como poeta!… Para mim desceram completamente de nível. Por sua vez, subirá o nível das vendas da Quasi, com o seu não menos fraco “poeta” Jorge Reis-Sá: quanto a isto só posso ficar feliz por eles! Enfim, acabaram por perder, com esta palhaçada, os jovens poetas que venceram as outras edições. Vão ser metidos no mesmo saco deste “poeta”(?????????) Peixoto - a que nenhum crítico de poesia reconhece verdadeira importância - quando, afinal, eles tinham revelado grande qualidade. Em suma, esperemos que isto não venha descredibilizar o Prémio, nem desmotivar os novos talentos.
                        Por favor, não tomem isto como “dor de cotovelo”: não sou poeta, nem tenho intenção de sê-lo. Mas gosto muito de poesia, leio muita poesia, tenho estudado muita poesia - e o amor torna difícil suportar estes baldes de água fria.

                        • E.M. on Fevereiro 8th, 2008 23:58

                          Olá a todos!
                          Sobre este assunto, penso que o problema está na pertinência da participação de um autor que, em princípio, não terá problemas em ser editado. É uma questão ética. Embora possa atender à possibilidade de essa participação ter sido inocente e da atribuição ter seguido todas as regularidades dos anos anteriores, não vejo a necessidade do dito desafio. Até porque, para uma pessoa que já é reconhecida, pelo menos, por parte de um número de pessoas e de editoras, como autor estabelecido, não haveria razão para participar num prémio destinado à promoção do aparecimento de jovens criadores. Este prémio não é um tão grande desafio para alguém que já é “experiente” e “maduro”. Desafio seria concorrer ao lado de outros autores ao mesmo nível de experiência e maturidade.
                          Se a decisão de participar foi feita com inocência foi, no mínimo, mal pensada.
                          Se já o temos, porque não dar lugar e espaço a quem não o tem ainda? Sobretudo, quando esse é um dos propósito do próprio prémio… Espero que isto não seja entendido como a tal “dor de cotovelo” de que se falou já. É apenas uma perspectiva da coisa.

                          Abraços!

                          • José Tolentino on Fevereiro 9th, 2008 0:20

                            Fogo oh Zé Luís, e és tu um gajo das “esquerdas”? onde está o teu espírito pelos mais pequeno pá? Onde está a tua personalidade? Afinal, qdo eras puto e estavas numa de iniciar não achas que seria um pouco falta de ética que viesse um gajo já da “roda viva” e que nos puxasse o tapete só para ficar com os louros? Onde está o teu acreditar? sim tu Zé Luís, que és patrono de um prémio para jovens?! Seria necessário participar neste concurso que tem essa função também “revelar novos nomes”?! Estou-me nas tintas para quem acha que houve marosca ou não! Nas tintas…não esperava era levar uma facada nas costas de uma pessoa “dita” de esquerda (e todos nós sabemos o que os ideias de esquerda defendem), uma pessoa que já é reconhecida ter a necessidade de participar em concursos para jovens só para ter mais um titulo no CV! Desafio Sr. Silva? Desafio é uma pessoa superar-se a si própria, querer lutar onde estão os tubarões…e não querer ir para onde estão os peixinhos! Participar no Daniel Faria é um desafio sim, mas é para quem tem 20 e tal anos e não tem edições pela QUASI, pela BERTRAND e não é conhecido por ninguém…isso sim é um desafio! o que tu fizeste zé luís não é desafio nenhum pá!

                            Em relação ao Sr. Silva e passo a cita-lo Acha que a Quasi precisava disso (ainda por cima num prémio sem contrapartida financeira)?

                            Caso não saiba, vender um Zé Luís Peixoto, dá mais lucro que um Rui Costa! Abra os olhos amigo e não ande você a voar às voltas…para isso já bastam os grifos, e esse posso vê-los no site do jornal público…não faça é os outros passarem por tolos quando não o são!

                            Mas o que está em causa nem é isso… mas sim a falta de ÉTICA que existe por parte de um escritor “profissional”, o querer estar no poleiro! É o querer ter um grande CV! Nunca esperei isto de ti Zé Luís!

                            • Filipa Amaral on Fevereiro 9th, 2008 0:43

                              José Luís, é só para te dizer que também podes concorrer ao prémio da Junta de Freguesia da Musgueira!!!!O prémio corresponde a 200€ e um perú! Participa, é sempre um desafio!!!

                              Grande lata! Desafio? Arriscou? Parece o tolo do meu irmão que tem 17 anos e que vem todo contente para casa porque ganhou 10 - 0 a jogar contra putos de 9 anos!

                              Tenham paciência e deixem-se de palermices!!!!

                              Grande José Luís Peixoto!!! Sempre em grande!!!

                              • Filipa Amaral on Fevereiro 9th, 2008 0:50

                                P.S. O tolo do meu irmão joga nos juniores do Benfica. Os putos de 9 anos são os putos cá do bairro…para bom entendedor…

                                • Kátia on Fevereiro 11th, 2008 13:29

                                  Pelo que entendi, preferiam que José Luís Peixoto se conformasse à “torre de marfim” onde muitos grandes escritores se colocam. Esqueceram que ele é um dos escritores mais humildes, que visita todo e qualquer lugar e atende a todas as pessoas com uma simpatia e um carinho inéditos nesse meio? Naturalmente, ele não precisa de um prêmio em seu currículo para ser mais reconhecido, visto que o seu talento é que é a garantia do seu sucesso. Deixem o rapaz em paz. Parece que nós, brasileiros, o compreendemos melhor do que vocês. E isso não fica muito bem… Outra coisa: citando Caetano Veloso: “Esse papo já tá qualquer coisa, você já tá prá lá de Marrakesh”.

                                  • David Fernandes on Fevereiro 12th, 2008 10:23

                                    Ninguém tem o direito de acenar a bandeira da conspiração, como ninguém tem o direito de pôr em causa a honestidade e bondade do José Luis Peixoto. A questão não é essa, como é óbvio.

                                    A mim parece-me que o JLP já está naquele patamar de ganhar prémios por nomeação pura e simples; é de facto um consagrado já. Porque resolveu concorrer a um prémio para “novos” ele o saberá. Não me venham é atirar com a coragem do homem; apre! Então ele lá precisa de provar alguma coisa a alguém?

                                    Não percebo também como pode a vitória do JLP prestigiar o prémio, mais do que a descoberta de um novo valor? É que, parece, é esse o objectivo do prémio.

                                    A situação não é nova, como já alguém disse. Aconteceu-me a mim concorrer a um desses prémios para “novos” ganho pelo José Jorge Letria (o consagrado papa-prémios da literatura portuguesa). Que feliz e descansado que eu fiquei; eu continuei “novo” e ele não mais consagrado do que já era. Nada mudou portanto.

                                    • David Fernandes on Fevereiro 12th, 2008 10:35

                                      … e as palavras do Jorge Reis-Sá são, no mínimo, infelizes.

                                      “… já tinha suspeitado que se tratava de um autor experiente, com grande domínio da linguagem e das técnicas de escrita, e não alguém que envia o seu primeiro livro.”

                                      Grande incentivo para quem “envia o seu primeiro livro”, sim senhor. Desgraçadinhos.

                                      “(…) correu o risco de perder para um autor desconhecido ou, pior ainda, de receber uma mera menção honrosa.”

                                      Mera(?!?!?!) menção honrosa. Pois fique o Jorge Reis-Sá sabendo que menção honrosa, como o nome diz, é uma menção … HONROSA, (pior ainda?!?! do que quê???). Valha-me deus, por onde anda o senso desta gente.

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