Prémio LeYa 2010 não vai ser atribuído

Eis o comunicado do júri do Prémio LeYa:

«O Júri do Prémio LeYa reuniu esta tarde na sede da editora, em Alfragide, para deliberar sobre a atribuição do Prémio relativo a 2010.
Perante originais que, apesar de algumas potencialidades, se apresentam prejudicados por limitações na composição narrativa e por fragilidades estilísticas, o Júri entendeu que as obras a concurso não correspondem à importância e ao prestígio do Prémio LeYa no âmbito das literaturas de língua portuguesa. Em consequência, e de acordo com a alínea f) do art.º 9 do respectivo Regulamento, decidiu por unanimidade não atribuir o Prémio LeYa referente ao ano de 2010.

Alfragide, 29 de Novembro de 2010

Assinado, por esta ordem:

Manuel Alegre
Carlos Heitor Cony
Rita Chaves
João Amaral (Secretário do Júri)
Nuno Júdice
Artur Pestana (Pepetela)
José Carlos Seabra Pereira»



Comentários

10 Responses to “Prémio LeYa 2010 não vai ser atribuído”

  1. José Manuel Chorão on Novembro 30th, 2010 18:08

    Ou seja, num prémio que não é para amadores (sendo o montante tão elevado, é um prémio a que concorrem autores consagrados, com obra publicada, dos vários países de língua portuguesa) apresentados que foram 325 livros originais, nenhum (NENHUM!!!) tinha a qualidade mínima para ganhar o prémio.

    Cheira-me a esturro; não quiseram dar a massa porque os tempos vão maus? Tanto livro e nenhum presta? Pode ser que sim, mas não estou a ver o Mia Couto, por exemplo, a enviar para lá uma porcaria (imaginando eu que poderia ser concorrente).Ou outros que tal.

  2. susanu on Dezembro 1st, 2010 19:26

    falta de qualidade não é desculpa para justificar falta de dinheiro ou de bom senso. Esse juri, que diz estar acostumado com as palavras deveria saber pelo menos dar um explicação sem denegrir os trabalhos dos outros. Acho que a Leya tá mesmo é com as pernas quebrada e ainda diz que os trabalhos não estão a altura da mesma! Posso até concordar pensando pelo lado de que eles estão abaixo do chão.

  3. Carlos Maduro on Dezembro 1st, 2010 20:36

    Não sou profeta, mas no meu blog já anunciava isto antes de acontecer. O Prémio Leya foi um insulto a pessoas de bem. Sou o primeiro a dar a cara e não me cansarei de denunciar esta gente.
    E lamento muito sinceramente, há pessoas entre o júri de bem, sei do que falo, pessoas que muito estimo, mesmo não conhecendo pessoalmente. Não imagino como se deixaram envolver nesta palhaçada.
    Este prémio serviu unicamente aos interesses publicitários do grupo Leya, nunca esteve em causa treta nenhuma de lançamento de novos autores, essa foi uma mentira descarada. Nem me atrevo a insinuar que alguma vez boicotaram as regras duma prova cega, mas lançaram de imediato uma nuvem de fumo sobre a generalidade dos finalistas, para não falar dos concorrentes. Destruir as provas servia na perfeição ao segredo e à protecção dos senhores famosos que não queriam que se soubesse que concorreram ou que foram finalistas. Não foi isso que aconteceu com a Guerra da Meseta do Artur Portela em 2008?

  4. Artur Portela on Dezembro 4th, 2010 15:43

    Carlos Maduro:

    Não percebo.
    E responderei a pergunta/s concreta/s.
    Abraço
    Artur Portela

  5. Carlos Maduro on Dezembro 5th, 2010 19:54

    Caro Senhor Artur Portela,

    Não me move nada contra o senhor, antes pelo contrário. Não conhecia a sua obra antes deste concurso, é por ele que chego à Guerra da Meseta e daqui a curiosidade por outras obras. Está, portanto, excluída toda a crítica em relação ao escritor, se tenho algo a dizer, só pode ser de admiração.
    O mesmo não acontece em relação ao hipotético concorrente. O senhor pode pensar o que quiser, mesmo que seja num indivíduo qualquer que, para criticar o grupo Leya, se lembrou de escolher um escritor ao acaso, chamado Artur Portela, e atirar sem saber a quem sem noção daquilo que está a dizer.
    A questão é por, por isso mesmo, muito simples, o senhor concorreu ou não ao Prémio Leya em 2008 com a Guerra da Meseta? O Senhor foi ou não finalista? Esta informação foi-me dada pela senhora Dulce Reis, responsável pela organização do Prémio Leya.
    Se foi mentira, o que disse em relação ao senhor não tem razão de ser, não o inventei, mas não me custa pedir desculpa por qualquer incómodo causado. Se foi verdade, compreenderá que a forma como as coisas foram feitas não foi a mais correta. Se no dia a seguir ao anúncio do prémio, me foi dito por telefone que ia ser preparada uma edição com muito cuidado das obras finalistas, para depois irem sendo publicadas mais ou menos clandestinamente, conforme os autores fossem ou não da casa, o julgamento ficará com que ler esta troca de ideias.
    Agradeço a atenção,

    Um abraço,

    Carlos Maduro

  6. Carlos Maduro on Dezembro 6th, 2010 13:10

    Caro Artur Portela

    Não entendo, coloquei um comentário e ele não foi validado, talvez por ser extenso. Mas repito a pergunta concreta.
    O Artur Portela concorreu ao Prémio Leya 2008 com o romance a Guerra da Meseta? O Artur Portela foi finalista?

    Grato pela atenção

    Carlos Maduro

  7. artur portela on Dezembro 7th, 2010 16:18

    Caro Carlos Maduro:

    Sim, concorri ao Prémio Leya 2008 com o romance A Guerra da Meseta.

    Sim, tive a informação de que havia sido um dos finalistas.

    Permita-me que acrescente duas linhas.

    Não, não estive envolvido em nenhuma operação menos clara de marketing editorial.

    Não, não tenho conhecimento efectivo de que tenha havido, menos clara,
    uma operação assim.

    Nem em 2008 nem em 2010.

    Posso ponderar hipóteses.

    Mas sou avesso a processos de intenção.

    Grato pelas palavras amáveis, aceite um abraço do

    Artur Portela

  8. manuel on Dezembro 8th, 2010 20:32

    Caro Carlos Maduro, notei que assina vários posts em vários blogs sobre esse seu episódio com o prémio leya. Permita-me que lhe sugira que não deixe que o facto de lhe terem recusado a publicação de uma obra o detenha de continuar a tentar. Mas sobretudo o que não é admissível é lançar suspeitas sobre um prémio ou as pessoas que o organizam apenas por ter sido recusado para publicação. Isso, desculpe, mas não se faz.

  9. Carlos Maduro on Dezembro 8th, 2010 23:01

    Caro Artur Portela,

    Agradeço-lhe muito sinceramente a frontalidade desta resposta. Respeito a sua opinião e nem me atrevo a insinuar que lhe foi dada a informação que me foi prestada.
    Contudo, em relação ao Grupo Leya, reafirmo aquilo a que chama hipóteses, nunca disse que houve processos de intenção iniciais, mas que houve uma readaptação intencional do prémio ao longo destes anos, hoje, e mais do que nunca, não tenho dúvidas.
    No dia seguinte ao anúncio do prémio, fui informado por telefone da intenção da Leya em publicar o conjunto dos finalistas, falaram numa revisão cuidada dos textos, para fazerem uma edição do conjunto.
    Desde então, nunca mais fui contactado, tudo que me foi dito, foi por iniciativa minha, por escrito, nunca me disseram nada, nem repostas a cartas. Para surpresa minha, vejo a sua obra publicada, penso não errar, ainda antes ou muito próxima ao Rastro do Jaguar. Que julgamento esperava que fizesse?
    Hoje se tenho uma prova escrita de que fui finalista, devo-a a uma resposta dos membros do júri.
    É um procedimento correcto? Então não tenho direito a indignar-me? Ia fazer o quê, calar como os outros? Ia para tribunal, onde, no nosso país? Lancei-me na net nesta cruzada de denúncia daquilo que para mim é mais valioso, a palavra.
    Repito, peço desculpa por qualquer incómodo, se alguma agressividade houve foi em relação ao concorrente que teve um tratamento diferente em relação ao que me tinha sido dto.
    Para o Atur Portela só posso enviar a minha estima, admiração e respeito.

    Aceite também um sincero abraço,

    Carlos Maduro

  10. Carlos Maduro on Dezembro 9th, 2010 13:03

    Caro Manuel,
    Alguns esclarecimentos, em primeiro lugar, para dizer que edição nunca foi recusada, eu tomei iniciativa de cancelar a proposta por telefone, comunicada à secretária da Dra Maria da Piedade Ferreira, responsável pela Oceanos. Se o Senhor acha normal que estes assuntos sejam tratados por telefone ao longo de mais de um ano, comigo não é. Promessas e falta de cumprimento delas já nem com trolhas se admitem. Talvez haja muito autor que rasteje à volta dos editores, eu nunca o farei.
    Segundo, o livro já foi publicado, esse não é o problema, nem que tivesse que pagar a publicação do meu bolso, não dependo dos livros para nada. Escrevo o que quero e o que me apetece, não admito que me digam que tenho que fazer alterações num romance pelo facto dos leitores duma editora serem muito básicos.
    Terceiro, não vim para a net e para os blogs lançar suspeitas, vim falar daquilo que aconteceu no meu caso, devidamente identificado, com os nomes com quem contactei e das informações que me foram dadas, até ao momento nada foi desmentido, não é come refere, lançar suspeitas sobre pessoas, elas têm nome. E não o fiz sem antes, com o devido tempo, ter pedido explicações à Leya por escrito e mais do que uma vez, tenho os registos. A Leya é que não os tem da resposta.
    Para o meu amigo os grandes podem tomar as atitudes que entenderem que tudo lhes é permitido; nos pequenos, qualquer tentativa de defesa “não se faz”..
    Não sei em nome de quem fala, como se diz, manuéis há muitos, de qualquer forma, agradeço que tenha mostrado essa sua indignação, fico feliz que, mesmo sendo um insignificante mosquito, comparado com a Leya, graças à Net e aos blogs, consegui dar voz à minha revolta e de tantos outros concorrentes de quem tenho recebido os maiores elogios.
    Cumprimentos,

    Carlos Maduro

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges