Primeiras impressões
Estou no espaço Internet da Casa da Juventude, junto ao Auditório Municipal da Póvoa de Varzim. O computador portátil no colo, um autocarro lá fora à espera, perdoem por isso o laconismo.
Quem acha que a literatura não implica sacrifícios nunca apanhou o Alfa pendular em Santa Apolónia às seis da manhã. Lá fora a escuridão, a cidade um vulto impreciso, cais vazios, o Tejo só negrume. E uma coincidência daquelas que me acontecem com uma frequência assustadora. Ao retomar a leitura de O Amante Albanês, de Susana Fortes, uma escritora espanhola nascida na Galiza [ver debate nos comentários ao post] que vou tentar entrevistar durante as Correntes, tropeço logo nesta frase: “O fascínio do comboio provinha do mistério da distância, uma rota fixa de ferro cosida à terra, os sulcos fundos dos carris, os nomes das estações (…)”. Continuo a ler mas depressa adormeço, vencido pelo cansaço acumulado, acordando já para lá de Coimbra B, uma paisagem sufocada pela neblina a fugir na janela.
Entretanto o Porto, Campanhã, alguém à minha espera, a estrada, a Póvoa erguendo-se junto ao mar. Bagagem no hotel, água fria na cara, autocarro. E uma sessão sobre poesia, às 10h30, de que falarei mais tarde.
Até já.
Comentários
10 Responses to “Primeiras impressões”
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 29 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 22 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 16 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 9 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 2 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 25 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 18 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 11 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 4 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 28 de Outubro de 2016


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Aproveito para lhe pedir que dê um grande abraço à Susana Fortes, de quem traduzi “Fronteiras de Areia”.
Esta manhã as “laterais” do bibliotecário aproveitaram a sua ausência… e deram de frosques 😀
Gosto do novo look da template! Acho que está quase, quase afinado (quase,quase = 99,99%).
Abraço.
PM
caro josé mário, eu chamaria antes escritora galega à Susana Fortes, mas enfim… Gostei muito do ‘Querido Corto Maltese’ e de ‘Fronteiras de Areia’. ‘O Amante Albanês’ está há dois anos na lista de espera das minhas leituras (cada vez mais) caóticas. Vou tirá-lo de lá e vai já a seguir. Boa entrevista.
PS – E parabéns pelo blogue, que passou a ser de leitura obrigatória também para mim
para te distraíres, aqui fica um link ao mesmo tempo fascinante e arrepiante, para quem gosta de livros: http://packergallery.com/dettmer2/dettmer.html
JMF,
Bem-vindo ao Norte!
Deixava uma sugestão para você saber da opinião dos autores presentes nas Correntes:
Acabámos de colocar no nosso blogue uma postagem intitulada “Editora experimenta venda de livros por capítulos” :
“De acordo com o Wall Street Journal, proveitando o negócio da venda de música, o Grupo Random House Publishing começou a vender capítulos individuais de um livro popular para envolver os leitores na procura de textos digitais, no que é a primeira experiência de uma grande editora vender um livro através do conceito capítulo a capítulo. (…)
Para ler o resto, pf, visitar o http://bibliofilmes.blogspot.com
Ou seja, você poderia procurar saber qual a opinião dos autores e convidados participantes sobre a possibilidade de venda dos seus livros na internet, por capítulos, como se fosse uma música.
NB: Se publicar num jornal, quero uma parte do “cachet”:)
VM
Organização Concurso BiblioFilmes
ps. Aproveitava para o convidar (e os digníssimos visitante do seu excelente blogue) a visitar uma nova iniciativa nossa, uma campanha que pretende aproveitar o Dia dos Namorados para que se possa celebrar também o amor pelas bibliotecas.
É intitulada Amor de Biblioteca e pode ser visitada em http://AmordeBiblioteca.blogspot.com
AM: concordo tanto consigo que já rectifiquei.
AM a Susana Fortes nasceu efectivamente na Galiza, mas escreve em castelhano. Não me parece que faça muito sentido, ou ela pondere, chamar-lhe escritora galega, acontecendo exactamente o contrário com a escritora galegaTeresa Moure [Erva-do-Diabo, Difel], que esscreve em galego. E já agora lembre-se que o escritor catalão Enrique Vila-Matas, por ex., também escreve em castelhano, mas o catalão Jaume Cabré [Sua Senhoria, Tinta-da-China] escreve em catalão
Isto já parece um jogo de ping-pong. Depois deste esclarecimento do Jorge, impõe-se mudar o post outra vez.
Caro Fallorca, não estou inteiramente de acordo. Poderíamos mesmo trocar argumentos sobre essa questão. Acho que seria uma discussão interessante e nada diletante. Por exemplo: Manuel Rivas, que escreve tanto em galego como em castelhano, é um escritor galego ou espanhol? E Torrente Ballester, que sempre escreveu em castelhano, mas é talvez mais “galego” do que ele? Enfim, não quero abusar da generosidade do José Mário… De resto, seria uma boa questão para pôr à própria Susana Fortes, não?
Por mim tudo bem, pessoalmente acho que se É escritor na língua em que se escreve. Peço-lhe apenas que me retire o “caro”, e assunto encerrado