Primeiro balanço

Em rascunho, no backoffice do blogue, há posts sobre as três primeiras sessões das Correntes (à quarta, no final da tarde de hoje, não pude assistir). Conto publicá-los amanhã, se tiver tempo para os limar. Mas é já possível fazer um balanço telegráfico dos debates iniciais. Sem grande surpresa, a primeira mesa foi a melhor, com boas intervenções de Eduardo Lourenço, Almeida Faria, Hélia Correia e Ana Paula Tavares, seguidas de um autêntico show de Rubem Fonseca, que andou pelo palco, interpelou a plateia e a «torrinha» (o primeiro balcão), bem como os seus companheiros de mesa. Inteligente, erudita, provocatória, a intervenção de Rubem foi um exemplo do melhor que as Correntes podem oferecer, quando os seus convidados revelam extraordinárias capacidades de comunicação.
Esta amanhã, pelo contrário, vimos na mesa 2 um exemplo do pior que as Correntes também podem oferecer. O ensaísmo pessoano bacoco, pretensioso e excessivamente demorado de Alberto S. Santos, as historietas sem pés nem cabeça de Sofia Marrecas Ferreira e a girândola de lugares comuns de José Jorge Letria lançaram ondas de tédio no auditório. Salvaram-se da sessão, ingrata até no tema («O fim da arte superior é libertar»), as intervenções de Care Santos, Fernando Pinto do Amaral e Luís Quintais, que cumpriram os mínimos mas estiveram longe de brilhar.
Com a mesa 3, em que participaram Jaime Rocha, João Luís Barreto Guimarães, Margarida Vale de Gato, Manuel Rui e Manuel António Pina, os níveis de qualidade voltaram a subir. Destaco o brilhante texto de Barreto Guimarães, o manifesto poético de Margarida Vale de Gato e a intervenção improvisada, mas densa, lúcida, irónica e divertida, de Manuel António Pina.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges