Primeiros parágrafos

«Deve imaginar-se um quinquagenário frustrado por sê-lo tão cedo e tanto, residente nas imediações de Nagasáqui, na sua vivenda de um bairro de ruas caindo a pique. E terão de ver-se também estas serpentes de asfalto mole que rastejam na direcção do cimo dos montes, até que toda esta espuma urbana de chapas, lonas, telhas e não sei que mais ainda se detém aos pés de uma muralha de bambus desordenados, de través. É aí que eu moro. Eu – quem? Sem querer exagerar, não sou grande coisa. Cultivo hábitos de celibatário que me servem de barreira de protecção e me permitem dizer que, no fundo, não desmereço demasiado.»

[in Nagasáqui, de Éric Faye, trad. de Miguel Serras Pereira, Gradiva, 2011]



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges