Punta Umbría (ida e volta)

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Primeiro a auto-estrada quase vazia, o céu tão claro, maçãs e tangerinas, discos gravados por outrém no leitor de CD. Para lá da ponte sobre o Guadiana, um pouco mais adiante e à direita, entrando na ria como uma unha, a povoação de dez mil habitantes que recebe 150 mil turistas no verão e meia dúzia de poetas tresmalhados no inverno. Punta Umbría: uma fonte digna de Isaltino logo à entrada e prédios tipicamente espanhóis (com aqueles tijolinhos finos cor de barro) ao longo de uma rua com palmeiras, por onde poderiam passar, tocando as campainhas das suas bicicletas, os putos da série Verão Azul. A dois passos, a praia comprida e estreita, com mais conchas do que areia. E lá no meio, junto ao Ayuntamiento que mais parece uma casa lacustre, um centro cultural (teatro, biblioteca, salas de exposição e auditório) de fazer inveja a muitas capitais de distrito portuguesas.
O III encontro Palavra Ibérica correu bem, apesar dos sobressaltos do primeiro dia (a morte do ex-vereador socialista que cancelou a campanha eleitoral e a descoberta do corpo de Mari Luz, a Maddie andaluza, a poucos quilómetros de distância). Como sempre nestas coisas, o que verdadeiramente interessa passou-se fora das sessões, nas conversas soltas à volta das tapas no hotel e dos copos de cerveja no Café Nexo, o epicentro das leituras nocturnas. Gostei muito de conhecer melhor o Uberto Stabile e o Antonio Orihuela, de descobrir os poemas do Rafael Camarasa (vencedor da edição espanhola do Prémio Palavra Ibérica), de rever o Fernando Esteves Pinto, o Amadeu Baptista, a Manuela Ribeiro e o João Paulo Cuenca, de ser apresentado à Golgona Anghel, ao Manuel Domingos, ao Pedro Afonso, ao João Bentes e ao Tiago Nené, já para não falar da alegria de ter a Diana Almeida, velha amiga dos tempos do DN Jovem, como companheira de viagem.
No regresso, deslumbrantes, as nuvens conspiravam no céu da península.



Comentários

One Response to “Punta Umbría (ida e volta)”

  1. sulscrito :: vozes ibéricas :: March :: 2008 on Março 11th, 2008 18:43

    [...] na rede: mais duas vozes do encontro palavra [...]

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    «Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges