Quando o tecto é um espelho
Para satisfazer as necessidades do Senhor Breton, «surrealista puro», Diogo de Castro Guimarães criou uma casa onde ele «pudesse guardar todos os seus sonhos, ideias, movimentos, imagens e entrevistas». O edifício assume assim a forma de uma caixa com uma «face/tecto» espelhada, que tem «inclinação suficiente para ser possível ao Senhor Breton ver as pessoas que estão na rua e até o rio Tejo». O objectivo é estabelecer «novas maneiras de interacção» deste «Sonhador» com os habitantes de Alfama «e vice-versa». Além do obrigatório percurso público entre duas ruas (ligando a da Saudade à de São Mamede), o projecto prevê uma curiosa conexão entre a biblioteca pessoal do Senhor Breton e a livraria que fica no piso térreo do edifício. Através de uma «fenda» que torna contíguos os dois espaços, os livros de que a personagem de Gonçalo M. Tavares abdica podem passar para baixo, invadindo a livraria e talvez mesmo a rua em frente.

[Texto publicado no suplemento Actual do Expresso, como caixa deste artigo]
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