Quanto mais alta a parada, mais alta a exigência

Que a Byblos tenha sido inaugurada com uma semana de atraso e pouco mais de metade da oferta prometida (80 mil dos 150 mil títulos), compreende-se. Os atrasos dos fornecedores, em Portugal, são a norma e não é fácil pôr de pé uma estrutura tão grande. Mas que o site da livraria continue inoperacional um dia depois da abertura ao público, e nem sequer exista um esboço na Internet (ou fora dela) da badalada “vasta programação cultural”, isso é que já não se percebe.

Quando uso a palavra inoperacional, refiro-me essencialmente à função de pesquisa. E posso dar exemplos. Há cinco minutos, procurei o que havia sobre António Lobo Antunes e obtive “2 artigos encontrados”: as Actas do Colóquio Internacional da Universidade de Évora e as Conversas com a jornalista espanhola María Luisa Blanco (ambos editados pela Dom Quixote). Romances, nem um para amostra. Tentei depois José Saramago. Solitário, o artigo encontrado era o ensaio Para uma Leitura de “Memorial do Convento”, de António Moniz (Presença). Quanto ao próprio Memorial do Convento, nada. E os outros romances todos do Nobel da Literatura, zero.

O vazio estende-se às novidades. Quem queira encomendar os últimos best-sellers de Miguel Sousa Tavares ou de José Rodrigues dos Santos depara-se com a frase: “Não foram encontrados resultados no Catálogo Byblos que obedeçam aos critérios de pesquisa indicados.”

Haverá decerto razões que expliquem isto, mas nenhuma apagará a péssima imagem que os primeiros potenciais clientes já formaram de um serviço que se proclamava inovador na área do comércio online.  



Comentários

8 Responses to “Quanto mais alta a parada, mais alta a exigência”

  1. Blogtailors - Paulo Ferreira on Dezembro 15th, 2007 11:56

    A jornalista Isabel Coutinho dedica a coluna ciberescritas de hoje ao lado mais tecnológico da Byblos, existindo algumas referências ao website da livraria. Transcrevemos este artigo no blogtailors. Os interessados poderão dirigir-se a:

    http://blogtailors.blogspot.com/2007/12/byblos-tecnologia-analisada-por-isabel.html

  2. Concurso BiblioFilmes on Dezembro 15th, 2007 13:04

    Boa tarde,

    Parabéns pelo blogue bibliotecariodebabel.com.

    Eu represento um grupo de professores que decidiu criar o concurso de vídeos no YouTube intitulado “BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!”, que visa além de promover a leitura, o livro e as bibliotecas públicas e escolares através das novas tecnologias, angariar fundos.

    Poderá encontrar mais informação na página oficial do concurso em http://bibliofilmes.com
    e no blogue http://BiblioFilmes.blogspot.com .

    Vínhamos, por este meio, divulgar a iniciativa e também convidar à divulgação e participação.

    O concurso conta com o patrocínio aos prémios do El Corte Inglés e o apoio do Gabinete do Plano Tecnológico.

    Os filmes terão de ser feitos até 2 de Abril de 2008 (Dia Internacional do Livro Infantil), data em que se iniciará o período de votações, até 23 de Abril (Dia Mundial do Livro), em que serão anunciados os vencedores.

    Com os nossos melhores cumprimentos,

    Organização BiblioFilmes
    bibliofilmes@xariti.com

  3. Byblos aquém do prometido : TubarãoEsquilo, a rede de blogues com actualidade, informação e notícias on Dezembro 15th, 2007 14:19

    […] primeira visita que realizou à Byblos, o Bibliotecário de Babel fez um balanço menos positivo do que encontrou na maior biblioteca do país, inaugurada […]

  4. Gonçalo Rosas on Dezembro 15th, 2007 15:36

    caro José Mário Silva,

    estive a confirmar o que nos disse sobre o site da Byblos e consegui encontrar tudo. Os novos livros de Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos estão inclusive na pagina inicial, na secção do “Top”.

    Creio que tem razão numa coisa: se procurarmos pelo nome do autor, a pesquisa não funciona. Para isso tem que se recorrer à pesquisa detalhada. Mesmo procurando “António Lobo Antunes” apareceram-me muitos mais livros do que disse no post.

  5. José Mário Silva on Dezembro 16th, 2007 18:34

    Caro Gonçalo,

    Se conseguiu encontrar os romances do Lobo Antunes e do José Saramago, explique-me como. Se conseguiu encontrar “O Sétimo Selo” do José Rodrigues dos Santos, sem ser pela página dos tops, explique-me como. Se conseguiu “muitos mais livros” do Lobo Antunes do que eu, explique-me como.
    É que eu sou apenas um utilizador normal e os utilizadores normais costumam pesquisar nos sites, seja o da Amazon ou o da Fnac, pelo nome do autor. E conseguem encontrar o que procuram. Mas neste caso talvez o problema seja meu, como decerto explicará, e não do site da Byblos.

  6. Gonçalo Rosas on Dezembro 16th, 2007 21:53

    Sim, é verdade. Reconheço que o sistema de pesquisa do site da Byblos é fraco. Consegui encontrar tudo na “pesquisa detalhada” (imediatamente abaixo da pesquisa ‘normal’). Por exemplo, no caso de António Lobo Antunes, preenchi o campo autor. “O sétimo selo” consegui encontrar, mas só escrevendo o acento em sétimo. Claro que tudo isto foram experiências, com objectivos definidos. Admito que para uso normal, a pesquisa não esteja bem, e nisso concordo totalmente consigo.

  7. Gonçalo Rosas on Dezembro 16th, 2007 21:57

    ah, afinal acho que também tenho link, a experimentar: http://www.byblos.pt/search.aspx?text=s%c3%a9timo+selo&type=0

  8. Alexandre Guerra on Fevereiro 16th, 2008 12:00

    Há muita gente com tempo a mais nas mãos…para o gastarem a experimentar lojas novas para depois dizerem mal…Quem me dera…mas infelizmente trabalho.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges