Quase (3)

Há uma interpretação possível para o epíteto escolhido por Miguel Sousa Tavares: comparado com o gigantismo de Equador (528 páginas) e Rio das Flores (627 páginas), as magras 128 páginas de No teu deserto vão parecer uma novela compridita ou um romance curtinho, um romance que não chega bem a ser romance, um romance quase, um quase romance (lá está).



Comentários

9 Responses to “Quase (3)”

  1. Safaa on Junho 24th, 2009 13:25

    Obviamente que um romance não será menos romance por ter “apenas 128 páginas”. Mal seria se assim fosse para obras como “Desgraça” de Coetzee ou “Intimidade” de Kureishi e muitas mais.

    Eu espero mesmo que não seja essa a razão para o epíteto escolhido, porque não faz sentido nenhum e só irá convencer os leitores de que um romance só srá digno desse nome se tiver quilos de páginas escritas.

  2. Gerana Damulakis on Junho 24th, 2009 14:30

    Concordo com Safaa: obviamente um escritor como Miguel Sousa Tavares não iria entrar numa bobagem dessas sobre o número de páginas ser determinante para definir um gênero literário. Equador é um livro inesquecível, está entre os meus 100 melhores romances da contemporaniedade.

  3. A Seve on Junho 24th, 2009 14:31

    Seve disse…

    Perfeita e totalmente de acordo com Safaa.

    Já leram algum livro do Philippe Claudel? GIGANTESCO, dois deles com pouco mais de 60 páginas cada um.

  4. Jorge Pimenta on Junho 24th, 2009 15:37

    O Pedra-de-Paciência tem cento e muito poucas páginas, e são suficientes para a história que conta.

    Se ficar ao mesmo nível do Disgrace até nem é grande lisonja, sem ofensa, espero, o romance é (quanto a mim) monótono, mais extenso seria enfadonho.

  5. Safaa on Junho 24th, 2009 21:51

    Eu até gostei bastante do “Disgrace”, mas compreendo que não seja para todos os gostos. De qualquer modo, não deixa de ser um (muito) bom romance.

    Eu referi esse, mas há tantos outros. “Slaughterhouse five” do Vonnegut por exemplo: curto, incisivo, sardónico, devastador.

  6. afonso on Junho 24th, 2009 23:25

    Afirma JL Borges algures duvidar que a grande parte dos romancistas que escreveram essas obras intermináveis não fossem capaz de fazê-lo, no mínimo, em metade das páginas. E o Borges era o escritor que era…

  7. angelo gonçalves on Junho 25th, 2009 1:09

    Isto parece uma reunião de críticos light.
    “Descraça”, não sendo um calhamaço, não tem menos de duzentas páginas. Chamar-lhe “monótono” diz do mais do leitor do que do texto.
    “A Neta do Sr. Lihn”, de Philippe Claudel, é uma excelente novela ou, se preferirem, um excelente pequeno romance.
    Pela amostra disponibilizada na LER, o novo livro de Miguel Sousa Tavares não conseguirá ser grande em campeonato nenhum.

  8. Gerana Damulakis on Junho 25th, 2009 1:24

    Sendo uma reunião de críticos light, façamos como Jorge Amado: se o romance tem poucas páginas, chama-se de romancinho. Pronto.

    Em tempo; o meu exemplar de Desonra, de Coetzee, da Companhia das Letras, tem 246 páginas. E eu queria mais.

  9. Jorge Pimenta on Junho 25th, 2009 9:24

    Caro Gonçalves, ainda bem que discorda. Além disso, acertou na mosca: revelei abertamente que me desagrada o que é monónoto. Espero que a sua afirmação não contenha juízos de valor dissimulados, não me entenda mal, por favor não, mas isso seria tão reflexivo quanto declarar ser esta uma discussão de críticos light, e acabar por entrar nela!

    Embora esta defesa seja razoavelmente inútil, retenha que li esse livro até ao fim. Pode apontar-me agora uma contradição que só com embaraço conseguirei explicar. Pois… surpreenda-me com a sua interpretação.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges