Quase a chegar

Falta pouco para os muitos fãs de Stieg Larsson, entre os quais me incluo, deitarem mãos (e olhos, e horas de sono) ao terceiro volume da trilogia Millennium: A Rainha no Palácio das Correntes de Ar.
O livro, editado pela Oceanos, estará cá fora no próximo mês. No Bibliotecário de Babel, já houve recensões ao volume 1 (aqui) e ao volume 2 (aqui).



Comentários

10 Responses to “Quase a chegar”

  1. jorge melícias on Maio 12th, 2009 14:29

    Srº José Mário Silva

    Aguardei pacientemente que colocasse on-line (como de resto tem sido prática com os artigos que escreve, quer para o ACTUAL, quer para a LER) a recensão que fez à antologia de poesia cubana contemporânea, por mim traduzida para a Antígona. Até à data tal não ocorreu. O porquê de tal omissão é facilmente, como quase tudo em si, apurável.

    Refiro-me à revista LER, de Maio de 2009, onde na pág. 70, num artigo intitulado “Poetas Cubanos de Agora”, escreve, referindo-se à qualidade da tradução: “…globalmente cuidada, rigorosa e fluída, peca apenas por um ou outro lapso semântico. No poema que aqui citamos de Reinaldo Arenas, por exemplo, onde se lê “guarda-costas” devia ler-se “guardas-costeiros””.
    Ora, não devia nada. Como já se terá apercebido (ou lhe terão chamado a atenção) “guardacostas” designa o barco e não a tripulação desse barco. No dicionário da Real Academia Española, por exemplo, encontramos as seguintes definições para “guardacostas”: (1. m. Barco de poco porte, especialmente destinado a la persecución del contrabando. 2. m. Buque, generalmente acorazado, para la defensa del litoral.)

    Não pense que não me senti profundamente lisonjeado (sabendo o Srº da consideração que tenho por si) pelos epítetos com que carrega, globalmente, a minha tradução. O que está aqui em causa é algo de mais visceral: os líricos chamam-lhe “honestidade intelectual”. Que o Srº tenha laborado num erro (e com ele induzido em engano, involuntariamente, estou em crer, os seus leitores) não é nada que não tenha já acontecido a todos nós. O grave, e isso, sim, inscreve-se no campo da honestidade intelectual, é o Srº não ter espinha para assumir esse erro e fazer um “mea culpa”, minimizando dessa forma os estragos que, junto dos poucos leitores interessados nestas coisas, poderá ter feito.
    Não que eu esperasse tal hombridade da sua parte.

    • lia on Maio 12th, 2009 15:30

      Vou contar os dias!

      • José Mário Silva on Maio 12th, 2009 15:41

        Caro Jorge Melícias,

        Neste preciso momento, não tenho tempo de responder à sua indignada diatribe. Mais tarde explicarei por que não foi ainda publicada essa recensão e respectivo “mea culpa” (não foi mas será, fique descansado). Se estivesse mais atento aos ritmos de publicação deste blogue, e menos consumido por uma espécie de paranóia persecutória, talvez já tivesse percebido.

        • Vasco Friedman on Maio 13th, 2009 14:07

          Esperemos que este 3º volume esteja melhor traduzido. Os anteriores bradavam aos ceús. Com livros a estes preços, exige-se (ou os leitores merecem) melhores traduções.

          • José Mário Silva on Maio 13th, 2009 15:48

            Caro Jorge Melícias,

            Caso ainda não tenha reparado, eu costumo publicar os textos do ‘Expresso’ na terça-feira seguinte e os da revista ‘Ler’ no final do mês em que um determinado número sai, ou até depois de ter saído o número seguinte. Quer isto dizer que publicarei nos próximos dias os textos do número 79. Os do número 80 (entre os quais a recensão à antologia de poesia cubana que traduziu) só aparecerão no início de Junho.

            • jorge melícias on Maio 13th, 2009 17:47

              José Mário Silva

              Agradeço a explicação.
              Como saberá, se traduzir um poeta já é complicado, traduzir 10 vozes, absolutamente singulares, procurando não trair, irremediavelmente, uma só delas (ou sobrepôr a própria dicção do tradutor a cada uma dessas vozes, o que me parece tão ou mais perigoso) é-o ainda mais (e falamos, em muitos dos casos, do castelhano da diáspora que, a espaços, pouco consegue ter a ver com o castelhano matricial).
              Ver o trabalho de tanto tempo ser posto em causa com o recurso a um exemplo, inequivocamente, errado é duro. E dificilmente compreensível.
              Não tenho esta tradução (nem nenhuma outra, de resto) como não susceptível de ser comentada e discutida. Espero é que isso seja feito a partir de exemplos não extemporâneos e distanciando-se, sempre que possível, daquilo que serão, claramente, opções do próprio tradutor.

              • José Mário Silva on Maio 13th, 2009 22:15

                Caro Jorge,

                Em relação ao suposto exemplo errado, aceito que “guardacostas” é, na definição dos dicionários espanhóis, um «buque, generalmente acorazado, para la defensa del litoral». Acontece que a palavra guarda-costas, em português, remete de imediato para os agentes de segurança pessoal, e não estou certo sequer de que a nossa Marinha utilize esse termo para os seus navios. A única referência que encontrei foi a uma “armada de guarda-costa”, o que não é exactamente a mesma coisa. Mas, mesmo que existam navios guarda-costas, para o leitor não ter dúvidas seria melhor, creio, acrescentar a palavra navios ao verso “Nós saímos conjurando tubarões e guarda-costas”.
                Ainda assim, admito que me cabia escolher um lapso semântico mais evidente. Como, por exemplo, a tradução de “periódico” por “periódico”, em vez de “jornal”. Ao contrário do que sugere, porém, não me parece que estes (poucos) lapsos ponham em causa um trabalho globalmente muito meritório.

                • jorge melícias on Maio 13th, 2009 23:37

                  José Mário Silva

                  Se há poema tematicamente bem ancorado este é um deles. Tendo em conta todo o “tonos” do poema em questão e porque tenho sempre extrema dificuldade em acrescentar algo (ainda para mais quando esse algo se me assemelha desnecessário para a total compreensão do poema) optei por não acrescentar a palavra “navio”.
                  Já agora, e até ao que me foi possível apurar, a designação em português é a de navio guarda-costas.

                  Quanto ao segundo exemplo que adianta conceda-me o benefício da dúvida de saber que “periódico” em castelhano significa o mesmo que em português: impresso, folha ou gazeta que se publica em dias certos (ou seja “periódico”, ou seja “jornal”).
                  Uma vez mais o exemplo a que recorre inscreve-se, cabalmente, nas escolhas conscientes do próprio tradutor. O José Mário Silva teria, ao que vejo, optado por “jornal”, eu preferi “periódico”. Nunca me passaria pela cabeça era pegar numa tradução sua por algo que diz unicamente respeito à liberdade do tradutor enquanto tal. Saber criticar terá que ser, tenho para mim, qualquer coisa mais do que isso.

                  Ainda assim agradeço-lhe o tempo dispensado.

                  • Poetas cubanos de agora | Bibliotecário de Babel on Junho 30th, 2009 10:30

                    [...] parágrafo da recensão, o tradutor Jorge Melícias disse de sua justiça nos comentários a este post. O que eu tinha a responder, ficou também ali [...]

                    • Alexandra on Junho 30th, 2009 17:16

                      Os dicionários de língua portuguesa registam (como substantivo) a acepção de «guarda-costas» referida por Jorge Melícias.
                      Veja-se:

                      http://www.infopedia.pt/pesquisa?qsFiltro=14

                      http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=guarda-costas

                      Leia os últimos textos publicados
                      «Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges