Quatro poemas de Steve McCaffery
9 DE JANEIRO
a poesia é uma caixa aberta com quatro lados à volta de maçãs
a prosa é um fundo de uma caixa com quatro lados sobre uma mesa
para evitar a queda das maçãs
POEMA DE JORNAL
levante-se e desça as escadas.
apanhe o jornal e folheie imediatamente
a necrologia.
se o seu nome não aparecer
volte para a cama.
BREVE POEMA DE CHÁVENA
pegue numa etiqueta a dizer ‘POETA’ e pendure-a ao pescoço.
depois pegue numa chávena e escreva a palavra ‘LUA’ na área da mesa
debaixo dela.
peça a um leitor para adivinhar o que está debaixo da chávena.
diga a palavra ‘CORRECTO’ de cada vez que alguém responder e não mostre
nada ao leitor.
ACONTECIMENTO DE PÚBLICO
a poeta lê um poema da sua própria autoria.
o público apupa.
a poeta tira uma arma e dispara sobre um membro do público.´
o público aplaude.
a poeta agora admite que a arma é uma arma de brincar que dispara
uma bandeira de papel a dizer ‘VIVA O POEMA’.
o público apupa outra vez.
[in pullllllllllllllllllllllllll - Poesia Contemporânea do Canadá, selecção e tradução de John Havelda, Isabel Patim e Manuel Portela, Antígona, 2010]
Comentários
3 Responses to “Quatro poemas de Steve McCaffery”
- Você decide em 9 de Setembro de 2010
- ‘Poesia na Rua’ em Cacela Velha em 9 de Setembro de 2010
- O contador relutante em 9 de Setembro de 2010
- Logo à tarde em 9 de Setembro de 2010
- Alice#3 em 9 de Setembro de 2010
- A caminho em 9 de Setembro de 2010
- Será que já alguém se lembrou de escrever um romance, do princípio ao fim, no Facebook? em 9 de Setembro de 2010
- ‘Subway Life’ (booktrailer) em 8 de Setembro de 2010
- Duas mulheres em 8 de Setembro de 2010
- As capas de Jorge Silva Melo em 8 de Setembro de 2010


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muito cheio de auto-comiseração ou comiseração pelos poetas, como se estes ao serem mal amados, fossem uns coitadinhos; este último poema.
os outros… banalidades escritas por quem deve estar muito bem relacionado no mundo editorial. Só assim se compreende que tenha sido publicado e mereça honras de estar neste blogue por tantos e tantos lido. Mais valia teres ocupado este espaço com uns tantos mais poemas de Pablo Neruda, para que nois delicia-se-mos com a sua sublimação dos sentimentos simples transcritos na difícil simplicidade das palavras sentidas.
cuidado Mário! este blog é muito considerado… não venhas a desbaratar todo esse prestigio granjeado com uma selecção sem qualidade que mais parece uma promoção de supermercado.
Caro leal maria,
Como é evidente, ninguém o obriga a gostar destes poemas. Se acha que não têm qualidade, limito-me a respeitar a sua opinião e a discordar dela. Mais lhe digo que Steve McCaffery, independentemente do que nós pensemos do que ele faz, é um dos mais respeitados autores canadianos contemporâneos no campo da poesia experimental.
Poesia experimental?? Dá uma definição ao que é poesia experimental e, talvez, eu seja convencido que muito do que se escreve não são apenas banalidades, cujo os autores, para disfarçar a falta de mestria para desenhar por palavras um sentir; um caminho filosófico; um protesto; um grito de insubmissão;… as
hiper metaforizam, para que na análise do poema, a subjectividade seja tanta que consegue disfarçar a mediocridade latente.