Rawi Hage arrebata o IMPAC Dublin Literary Award

Pode considerar-se uma surpresa. Melhor dito, uma enorme surpresa. O IMPAC Dublin Literary Award deste ano, no valor de 100 mil euros, foi atribuído a De Niro’s Game, romance de estreia de Rawi Hage, um escritor libanês que escreveu directamente em língua inglesa (apesar de ter crescido a falar árabe e francês). Radicado no Canadá, Hage, com 44 anos e um percurso profissional ligado à fotografia, centrou a sua narrativa no clímax da guerra civil que destruiu o seu país nos primeiros anos da década de 80.
O júri preferiu Hage a autores consagrados, como Philip Roth, Thomas Pynchon, Martin Amis, Paul Auster, Cormac McCarthy, John Updike, Alessandro Baricco, Tahar Ben Jelloun ou Margaret Atwood (que se ficaram pela longlist). Da shortlist de oito nomes, constavam o espanhol Javier Cercas (por A Velocidade da Luz, editado em Portugal pela ASA), o russo Andrei Makine (The Woman Who Waited), o irlandês Patrick McCabe (Winterwood) e o argelino Yasmina Khadra (The Attack).
Eis um excerto da declaração dos jurados:

«(…) De Niro’s Game is also a compassionate novel of friendship and betrayal, of love and loss. The war-torn city of Beirut plays host to the bravura of the young men- a city full of marauding militia, cleverly compared with the mad dogs that also haunt its precincts – a city that gradually drags its inhabitants into the blood-red sands of extreme situations and heart-breaking betrayal. (…)
In recounting Bassam’s struggle to escape, Hage offers an explosive plot that is also effective as a meditation on war and its psychological cost. There is no easy resolution, no redemptive ending in this visceral account. There is, however, an uplifting and original lyricism to the writing, one where Hage’s imaginative flair fuses the present horror into passages of poetic intensity. The cadences of the Old Testament are there, as are angry Ginsbergian litanies as well as strong European echoes, especially of Camus’ The Outsider. Remarkably, a dark but rich sense of humour also surfaces in the narrator’s self-deprecating reflections.
This is a magnificent achievement for a writer writing in a third language. Luck has nothing to do with this novel’s selection. Its originality, its power, its lyricism, as well as its humane appeal all mark De Niro’s Game as the work of a major literary talent and make Rawi Hage a truly deserving winner.»

Refira-se ainda que os 137 títulos apresentados a concurso este ano foram nomeados por 162 bibliotecas públicas de 122 cidades, em 45 países. Desta longlist fazia parte The Book of Chameleons (tradução inglesa de O Vendedor de Passados, vencedora em 2007 do Independent Foreign Fiction Prize), de José Eduardo Agualusa, indicado pela Biblioteca Demonstrativa de Brasília e pela Biblioteca Municipal Central de Lisboa.



Comentários

One Response to “Rawi Hage arrebata o IMPAC Dublin Literary Award”

  1. Bibliotecário de Babel – Enquanto as bombas caem on Agosto 27th, 2008 15:26

    […] romance directamente em inglês (a sua terceira língua, depois do árabe e do francês). Em Junho, foi-lhe atribuído o valioso IMPAC Dublin Literary Award – deixando para trás figuras de peso, como Philip Roth, Thomas Pynchon ou Martin Amis. Para […]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges