Razões de um encerramento
Ver uma livraria fechar – e 30 livreiros com o seu trabalho em risco – é triste, muito triste, mas só não adivinhou o desfecho da aventura megalómana de Américo Areal quem não quis. Há menos de um ano, quando a Byblos foi inaugurada com pompa e circunstância, apontei aqui como um potencial calcanhar de Aquiles a localização da loja, completamente fora de mão e sem metro nas redondezas. Deixava também, mesmo concedendo o benefício da dúvida, a seguinte pergunta: haverá viabilidade económica para uma mega-livraria que também vende CD’s e DVD’s (estes sem desconto), mas não oferece a parafernália de electrodomésticos e gadgets electrónicos que contribui, em larga medida, para o enorme volume de negócios da Fnac?
A resposta está dada. E o facto das promessas de inovação tecnológica e disponibilidade de fundos de catálogo terem ficado muito aquém do prometido também não ajudou.
Segundo a rádio TSF, a reunião desta manhã com os trabalhadores confirmou o pior cenário:
«Esta manhã, ocorreu uma reunião com os trabalhadores nas instalações da livraria, que não abriu portas ao público. Para já, sabe-se que os funcionários foram informados de que não iriam ser despedidos, mas antes dispensados no âmbito de um processo de insolvência, segundo revelou António Ramos, do gabinete de Comunicação da Byblos. Na prática, significa que os cerca de 30 funcionários ficam dependentes de uma decisão de um juiz, que terá agora de analisar o processo. Segundo apurou a TSF, em cima da mesa estará a possibilidade da venda da Byblos a outro grupo para que a livraria abra com novo nome e proprietário. Para esta tarde, está previsto um comunicado da empresa com mais detalhes da reunião.»
Mais opiniões sobre este fecho anunciado: Eduardo Pitta, Jaime Bulhosa, Carla Maia de Almeida, Jorge Reis-Sá, Luís Filipe Cristóvão [em actualização].
Comentários
One Response to “Razões de um encerramento”
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