Regresso
Do calor húmido para o calor seco. Abre-se a porta do avião e Lisboa parece uma fornalha. Começa a tocar o telemóvel. Em casa, o esquentador não funciona. Dos sítios para onde escrevo, avisos sobre prazos e deadlines. As malas nunca mais chegam. Atrás de mim, os Da Weasel sentados no chão do aeroporto. As malas continuam a não chegar. O voo de Bolonha passa-nos à frente. O calor. As malas continuam a não chegar. Um sumo de pêra, um café, funcionários que encolhem os ombros. As malas chegam por fim, quase duas horas depois, o tempo do voo sobre o Atlântico. Lá fora, fila longa para os táxis. Mais telefonemas. Por pouco não chego atrasado ao infantário, onde os filhos correm para os meus braços, felizes, como se não me vissem há três meses. «Onde é que estiveste, papá?» Eu respondo o que eles já sabiam, de ver no mapa a ilha, o dedo da mãe a dizer «aqui». Diz o Pedro: «Os Açores ficam lá muito ao fundo, não ficam?» Ficam, ficam.
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One Response to “Regresso”
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Azares, não é? Mas com este calor, o esquentador não faz assim tanta falta… E depois, não consigo evitar o lugar-comum, “o melhor do Mundo são as crianças “