adobe photoshop cs3 extended tutorial Adobe Creative Suite 5 Web Premium Download adobe photoshop cs 2 download adobe photoshop elements 2.0 windows vista Adobe InCopy CS5 for Mac Download adobe acrobat 8 cheap adobe creative suite premium cs2 win Adobe Photoshop Lightroom 3 Download convert word to adobe acrobat adobe photoshop 5 0 free download Adobe Dreamweaver CS5 Download cropping jpegs in adobe illustrator 9.0 adobe illustrator number serial Adobe Creative Suite 5 Design Premium Download adobe photoshop for dummies dvd adobe acrobat v6.0 professional tryout Adobe Photoshop CS5 Extended Download adobe acrobat viewer 6 free adobe acrobat 7 reader Adobe Creative Suite 5 Master Collection Download adobe photoshop cs free trial adobe acrobat 7.0 professional crack download Adobe Acrobat 9 Pro Extended Download adobe store adobe acrobat capture adobe acrobat error 1321 Adobe Premiere Pro CS5 Download adobe photoshop product registration key adobe incopy cs v3.0 Adobe Illustrator CS5 Download adobe photoshop 4.0 tutorial

Relâmpagos em busca de uma tempestade

cafe_muller.jpg

A primeira vez que assisti a Café Müller foi em 1994, quando Pina Bausch trouxe a Lisboa, então Capital Europeia da Cultura, uma retrospectiva dos seus principais trabalhos (A Sagração da Primavera, Kontakthof, Viktor), momentos para mim de pura descoberta e deslumbramento.
Uns anos mais tarde, em 1999 ou 2000 (já não sei precisar), escrevi um poema que viria a incluir no livro Nuvens & Labirintos, publicado pela Gótica em 2001. Era um exercício sobre o modo como as imagens de Café Müller permaneciam, já um pouco vagas nos contornos, mas ainda incandescentes, dentro do espectador que fui e sou. Imagens no fio da navalha, lutando contra o esquecimento, fixando na sua incerteza a beleza que um dia me comoveu.
Eis esse poema cuja precariedade ficava assumida logo no título:

MEMÓRIA, TALVEZ IMPRECISA, DE «CAFÉ MÜLLER»

O palco era uma desordem de cadeiras.
Havia corpos (seriam apenas dois?), corpos
lentos e desesperados – como náufragos.
Dido, sem Eneias, repetia a tragédia,
uma e outra vez. Os corpos rodavam,
indiferentes à sua própria magia, breves
relâmpagos em busca de uma tempestade.
Aquele não era, percebia-se, um lugar de
oráculos, certezas, declarações de amor.
Era um palco de cadeiras vazias.
Um deserto à espera de redenção.

No domingo passado, assisti de novo a Café Müller. Os seis bailarinos (sim, afinal são seis) reavivaram as imagens uma a uma, com os mesmos gestos, apenas feitos por corpos mais velhos. Pina Bausch lá ao fundo, como que desligada da acção, antecipando-a, foi mais do que nunca um fantasma ardendo na noite, com uma fragilidade sempre à beira do colapso. E os outros corpos desesperados (mas nem sempre lentos), agitando-se como náufragos; sim, como náufragos. Confirmei o que suspeitava: as duas figuras que melhor recordava, como que acima das outras, eram a rapariga sonâmbula e a personagem masculina (Dominique Mercy). Ela atirando-se para os braços dele, incapaz de a agarrar. Os dois atirando-se com estrondo contra uma parede. E a música de Purcell, a sua tristeza infinita: «Remember me but forget my fate.»
Quando cheguei a casa, procurei no YouTube e encontrei isto:

Escusado será dizer que em 1999 (ou 2000, tanto faz) ainda não existia YouTube.

[A última récita de Café Müller é hoje, pelas 18h00, no Teatro São Luiz; a lotação está esgotada]



Comentários

One Response to “Relâmpagos em busca de uma tempestade”

  1. Pina Bausch (1940-2009) | Bibliotecário de Babel on Julho 1st, 2009 7:45

    [...] cima do palco um labirinto de cadeiras, nesse Café Müller de há um ano, no São Luiz, em que foi fantasma ardendo na noite, com uma fragilidade sempre à beira do colapso. Desceu hoje um silêncio insuportável sobre Wuppertal. E sobre o [...]

    Leia os últimos textos publicados
    «Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges