Sobre a arrogância de Saramago

Disse que temos sempre boa imagem de nós próprios: reconhece razões a quem não tem boa imagem sua? É visto como um homem austero, arrogante, duro. Isso corresponde ao que vê em si?
Não corresponde, não. Em primeiro lugar, de arrogante não tenho nada. Rigorosamente nada. Se querem que lhes dê uns quantos exemplos de escritores arrogantes no mundo, e em Portugal também, posso dar. Não correspondo a esse figurino. [pausa] Austero? Uma austerida de carácter não é defeito, pelo contrário. Duro? Sou um sentimental! Como podem dizer que sou duro? Mas sim, sou realmente duro, seco, tão objectivo quanto posso, quando se trata de discutir ideias, opiniões. Que isso forme, no conjunto, uma imagem tão negativa que leve as pessoas a não gostarem de mim… O que hei-de fazer? Não se pode agradar a toda a gente.

[Excerto de uma longa entrevista dada por José Saramago a Ana Cristina Câmara e Vladimiro Nunes, em Lanzarote, com excelentes fotografias de João Francisco Vilhena, publicada na edição de hoje do semanário Sol]



Comentários

One Response to “Sobre a arrogância de Saramago”

  1. licopodio on Abril 25th, 2008 14:30

    Uma excelente entrevista, de resto.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges