Se eu fosse júri do Grande Prémio de Romance e Novela da APE

São cinco as obras candidatas ao Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (seleccionadas de entre 86 livros publicados em 2014): Os Memoráveis, de Lídia Jorge (Dom Quixote); Cláudio e Constantino, de Luísa Costa Gomes (Dom Quixote); Retrato de Rapaz, de Mário Cláudio (Dom Quixote); Impunidade, de H. G. Cancela (Relógio d’Água); e No Céu não há Limões, de Sandro William Junqueira (Caminho). O júri, constituído por José Correia Tavares, Ana Paula Arnaut, Isabel Cristina Mateus, Maria João Cantinho, Miguel Miranda e Miguel Real, deverá deliberar, durante o mês de Julho, qual dos escritores vencerá o prémio, no valor de 15 mil euros.
Dos cinco finalistas, só não li um: o de H. G. Cancela (mas ainda lá irei, espero). Com 80% de conhecimento de causa, posso dizer que tiro o chapéu ao júri por esta escolha, uma vez que gostei bastante dos quatro que me passaram pelas mãos. Os Memoráveis é uma das melhores ficções de Lídia Jorge e uma magnífica autópsia dos sonhos da revolução de Abril; as aventuras dos pequenos irmãos criados por Luísa Costa Gomes, à solta no mundo das ideias, são um divertimento sofisticado e intelectualmente estimulante; e o estudo de Mário Cláudio sobre um dos discípulos de Leonardo da Vinci é uma pequena jóia, de escrita imaculada. Mas se tivesse de escolher, daria o prémio a Sandro William Junqueira e ao prodigioso simulacro teatral que o seu romance encena, enquanto fustiga as personagens com um vendaval de energia que até a nós, leitores, nos transporta e eleva.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges