Sinestesia escaquística

Já houve quem associasse cores a palavras (Rimbaud, Nabokov), à música (Liszt, Rimsky-Korsakov) e até a equações matemáticas (Richard Feynman). São manifestações daquilo a que se chama sinestesia, dois planos de percepção sensorial que se fundem. No meu caso, a sinestesia não tem a ver com cores. Em bom rigor, nem sei se o termo se aplica, mas a verdade é que associo paisagens ou atmosferas a certas posições das partidas de xadrez que jogo na internet. Há uns dias, fui saltando de um palácio oriental na penumbra para um deserto americano com muitos cactos e rastos de cascavel, depois para uma alcova setencentista com perucas pousadas em cima do toucador, depois para um baldio entre prédios degradados num bairro social nos arredores de Birmingham, etc. Sem surpresa, ganhei o jogo do palácio oriental e o da alcova, perdi o do deserto e o do bairro problemático.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges