Sony Reader: primeiras impressões
Vantagens:
1) Muito simples de usar. A navegação é intuitiva e não requer a leitura de um manual de instruções mais espesso do que o Guerra e Paz, daqueles que explicam como e quando usar as dezenas de funções e pastas e programas que depois, na prática, nunca utilizaremos. Ao fim de cinco minutos, já avançava ou retrocedia no texto, e dobrava os cantos para marcar certas páginas, como se nunca tivesse lido de outra maneira na minha vida. [Que os mais puristas não se assustem: continuo a preferir o toque do papel, a materialidade do livro, etc., etc.]
2) O ecrã permite uma leitura agradável. Ainda não o utilizei durante horas seguidas, mas duvido que o Sony Reader canse mais a vista do que os livros tradicionais.
3) Muito boa, a sensação de ter várias obras à distância de um clique ou dois, acessíveis sem ter que me levantar do sofá e procurá-las nas estantes desarrumadas (correndo o risco de não as encontrar).
4) Além de portátil, este leitor de e-books é discreto. Se o levarmos na mão, com a capa castanha a imitar couro, o mais certo é que as pessoas pensem que levamos ali um caderno escolar ou um bloco de apontamentos.
Desvantagens:
1) Ao passar de uma página para a seguinte, há uma espécie de piscar de olhos do ecrã que é um bocadinho irritante. Tem a ver com o tipo de iluminação, diferente da que existe nos computadores. Pode ser que me habitue.
2) A função de aumentar o tamanho do texto é útil, sobretudo em certos ficheiros pdf, mas ao aumentarmos a letra os parágrafos muitas vezes desconfiguram-se (o que é fatal no caso dos poemas, que perdem a partição dos versos), além de que perdemos a noção de unidade da página. A isto já duvido que me habitue.
3) Ausência de cor e qualidade sofrível das imagens. Ver as capas e as ilustrações a preto-e-branco é estranho. Parece a televisão dos anos 70. Para quem leia apenas literatura, isto está longe de ser um problema grave. O mesmo não dirá quem gosta de BD.
Conclusão provisória: Para leitores profissionais (editores, críticos literários), este é um excelente instrumento de trabalho. Ainda tosco, ainda imperfeito, mas eficaz. Para leitores normais, que apenas lêem por prazer, diria que é um desperdício de dinheiro (sobretudo tendo em conta os preços elevados dos e-books).
Comentários
7 Responses to “Sony Reader: primeiras impressões”
- Blogue Bizâncio em 10 de Fevereiro de 2012
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Uma pequena maravilha! Acho que vou gostar. Obrigada e cumprimentos
Mas lê rimas ou não?
Abraço
Changuito,
Lê rimas, sim, mas não aconselho aos leitores de poesia. Por várias razões que me parecem óbvias. E mais uma: depois a quem é que vendias as tuas preciosidades?
Concordo.
Não devem haver livros do Pacheco para isso. Mas como macmaníaco estou curioso em ver a versão da apple
Changuito,
Toda a gente sabe – a começar pela Alice – que o melhor leitor de rimas és tu.
Beijos,
M
Ora, ora, dona Margarida, a menina não me diga isso. A Alice é a mais generosa ouvinte, depois da minha amada.