Soto/Soro

Um dos textos do livro Anatomia da Errância, de Bruce Chatwin (Quetzal), intitula-se “Os Anarquistas da Patagónia” e é uma extensa recensão crítica ao livro Los Vengadores de la Patagonia Trágica, de Osvaldo Bayer, publicada a 31 de Dezembro de 1976 no The Times Literary Supplement. Ao longo de 17 páginas, Chatwin parte da obra de Bayer para nos dar a sua própria visão da revolução anarquista que agitou a Patagónia durante os anos de 1920 e 1921. O instigador do levantamento foi um «galego magro, de vinte e três anos, que se chamava Antonio Soto». Ou será que era Antonio Soro? Na verdade, o nome é mesmo Soto, mas quem leia a edição portuguesa do livro de Chatwin fica na dúvida, ao ver a grafia alternar 11-vezes-11 entre Soto (15 ocorrências) e Soro (oito).
Mesmo admitindo que a tradutora (Helena Cardoso) sofre de dislexia, não devia a revisora (Catarina Martins) ter evitado a flutuação do apelido? É que ficamos com a sensação de que houve aqui um desleixo incompreensível. O tipo de desleixo que os leitores, hoje em dia, já não aceitam nem desculpam.



Comentários

10 Responses to “Soto/Soro”

  1. na linha on Outubro 21st, 2008 12:20

    O Chico Viegas vai tratar disso, agora a Quetzal vai entrar na linha.. até lhe aparecer um tacho melhor (hmmm suspiro…. quem sabe, o MC?)

  2. Mário Gabriel Pinto on Outubro 21st, 2008 13:37

    Infelizmente, esse tipo de erros deveria ser motivo justificado para devolver um livro…mas não é!

  3. FNP on Outubro 21st, 2008 17:42

    uma provocação que tarda…será que um prémio que falha em galardoar musil, broch, kafka, proust, pessoa, tolstoi…merece tanta importância, tanto escabeche acerca de? Não será o Nobel um prémio atribuído aqueles que sempre ficarão perto de serem génios mas que nunca chegarão lá? Ou seja, a uma braçada do cume?

    continua com o bom trabalho josé mário.

  4. FNP on Outubro 21st, 2008 17:44

    ah…e claro, james joyce….

  5. M. Garcia on Outubro 21st, 2008 22:36

    Nas “Oeuvres complètes”, editadas pela Grasset, aparece sempre Soto (p. 1458 e seguintes). Não tem que saber, leia a tradução francesa. E aproveite para ler o resto que não foi publicado em Portugal.

  6. Eduardo Serra Lopes on Outubro 22nd, 2008 2:28

    sempre lamentáveis esses erros.

    se na traduçao ja é lamentavel, ainda pior na revisao.

    nao pode passar na revisao uma coisa tao evidente…

    abraço, colega

  7. revisor on Outubro 22nd, 2008 10:12

    estando o R junto ao T no teclado universal qwerty, trata-se, obviamente, de uma gralha que um simples Find/Replace no programa de paginação resolveria. Preguiça, pura e simples, vinda de uma chancela com as costas quentes pelo dinheiro da Bertrand. Ou seja, a editar e a vender livros aquele grupo continua na mesma

  8. José Mário Silva on Outubro 22nd, 2008 12:00

    Caro revisor,

    Em abono da verdade, convém lembrar que esta edição do livro do Chatwin é anterior ao novo projecto da Quetzal, que está agora a dar os seus primeiros passos.

  9. revisor on Outubro 22nd, 2008 15:38

    Em abono da verdade, a Quetzal antiga e a nova lavam-se na mesma água tépida, JMS, e por mais capinhas larocas que o FJV queira trazer, certas coisas não mudam. E o FJV nunca foi um grande paladino do rigor, diga-se.

  10. José Mário Silva on Outubro 22nd, 2008 16:08

    Permito-me discordar, caro revisor. E cá estaremos para ver.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges