Tensões na Gulbenkian
Pelo que conta Eduardo Pitta (neste post e neste), há mosquitos por cordas na Av. de Berna. Não conhecendo Joana Morais Varela, nem as circunstâncias exactas do conflito com Marçal Grilo, temo apenas que as ondas de choque deste caso afectem a Colóquio/Letras, talvez a ponto de a conduzir ao mesmo destino que tiveram a Colóquio/Artes e o Ballet Gulbenkian.
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6 Responses to “Tensões na Gulbenkian”
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esperemos que não.
A actividade da Colóquio está agora reduzida àquela secção de recensões críticas, o que também não é um sinal de grande vida… :-/
Sem querer tomar partido num conflito do qual desconheço os motivos, uma coisa é certa: julgo que há todo o sentido em criar um conselho editorial para a revista, que possa assim ser responsável por um peer-review coerente.
Encontro ali várias recensões que não deviam ter sido publicadas naquela forma. Estou agora a ler uma, de um tal Pedro Eiras, que é de uma imbecilidade quase risível…
Mas ainda existia a Colóquio /Letras? É que nunca mais a vi. Eu, que não conheço nenhum dos agora “interessados na “coisa”!
Como sempre acontece nestas coisas em que se desconhece toda a verdade dos bastidores, as pessoas falam, comentam, indignam-se…mas não vão ao cerne da questão,julçgam os factos só por um lado da medalha; o papel da Joana Varela , durante muitos anos, junto da revista foi único
pelas suas enormes qualidades de inteligência, poder criativo, perfeição sem limites: só que todas estas qualidades ,a partir de certa altura, parecem ter criadouma situação insólita,ou seja, a de uma revista “desgovernada” em termos de calendário de publicação, números temáticos anunciados e sem nunca terem fim, numa espiral complicada e difícil de ser aceite pela hierarquia de uma instituição. Ou há uma revista que aparece periodicamente e isso justifica-se, ou há uma ervista cujos números monográficos se arrastam de ano para ano sem calendário credível e isso não se justifica…
A perfeição não é deste mundo e ela não pode justificar atrasos com três dimensões: um director tem de ser responsável pela periodicidade de uma revista, tem de descer à terra das coisas práticas e funcionais, sobretudo quando trabalha com orçamentos dados por terceiros. Se não o deseja fazer então sonha-se como auto-mecenas e trabalha como quer ,sem dar contas a ninguém….
Zé Mário, sem duvidar da tua convicção de estares a dizer a verdade, tens a certeza quando falas de mosquitos por cordas?
Farto-me de ir para o anfiteatro da Gulbenkian e não vi nenhum mosquito a fazer rappel ou escalada.
Já vi gansos a fazer esqui aquático, gatos a fazer escalada às árvores, gansos atrás de putos a comer merendas, perseguições aéreas entre pardais, melros a afugentar outros pássaros…
Sapos a arrotar, grilos a grilar…
Agora…mosquitos por cordas…não será engano?
REQUIEM PELA COLÓQUIO/LETRAS
A direcção poderia ter sido substituída, mas o fim anunciado da revista Colóquio / Letras, na sequência da extinção da Cóloquio / Artes, deixa-me preocupado com o caminho que vem seguindo a Fundação Calouste Gulbenkian, empurrada pelos seus directores.
Sei bem que, nalguns aspectos, a revista perdeu o carácter de proximidade de outros tempos, em prol de um povoamento demasiado académico ou demasiado enfeudado a certos grupos ou tendências, geralmente influentes e bem relacionados. Se o “cinzento” do passado não correspondia a desinteresse, o “luxo” do presente não correspondia totalmente a elevação. Mas acabar com a revista, se se confirmar, será mais um sintoma do apodrecimento das linhas de comunicação da Cultura portuguesa.
Neste momento, ficam-me duas preocupações, referentes a dois números futuros (?) desejados por muita gente. Sairão ainda as cartas de Sebastião da Gama e o volume de homenagem ao poeta Cristovam Pavia? Se a resposta for negativa, ficaremos todos a perder.
AINDA A COLÓQUIO
Afinal, segundo noticiou o Público de ontem, a dispensa da Colóquio / Letras atingiu apenas a directora, Joana Varela. Isto é, segundo noticiou o diário lisboeta a partir de informações veiculadas pela direcção da Fundação Calouste Gulbenkian, a revista continuará a existir, e até com periodicidade trimestral, o que é óptimo.
Assim está bem! É justo. Espero apenas que os projectos referidos no texto anterior se concretizem. E, já agora, que o novo director ou a nova directora não seja apenas mais um agente dos interesses instalados do meio universitário e/ou das capelinhas que tudo dominam para que nada evolua.