Tradutores (3)

Outra vez Lydia Davis, sobre a arte da tradução:

«The quality and nature of a translation (let’s say from the French) depends on three things, the first fairly obvious and the second two not quite as obvious: 1) the translator’s knowledge of French language, history, and culture; 2) his or her conception of the task of the translator; and 3) his or her ability to write well in English. These three variables have infinite subsets that recombine infinitely to produce the many different kinds and qualities of translations that we have. Publishers selecting a translator seem to proceed on the assumption that the most important qualification is the first. “Let’s ask Prof. X, head of the French Department at Y!” Often they completely ignore the second factor—how will Professor X approach the task of translating?—and certainly the third—what is Professor X’s writing style like? All three factors are vital, but in many instances, if one has to rank them, the third—how well the translator writes—may be the most important qualification, followed closely or equaled by the second—how he or she approaches the task of translating—and it is the first that comes in last place, since minor lapses in a knowledge of the language, history, and culture may result in mistakes that are, in a beautifully written, generally faithful version, fairly easily corrected, whereas a misconception of the task of the translator and, worse, an inability to write well will doom the entire book through its every sentence.»

O resto do artigo, sobre uma tradução muito má de Madame Bovary, também merece ser lido.



Comentários

2 Responses to “Tradutores (3)”

  1. Paulo Ferreira on Outubro 3rd, 2010 15:47

    AFFINITY

    « Sentimos afinidade com certo pensador porque concordamos com ele; ou porque nos mostra o que já estávamos a pensar; ou porque nos mostra de forma mais articulada o que já estávamos a pensar; ou porque nos mostra o que estávamos na iminência de pensar; ou o que podíamos ter pensado mais tarde ou mais cedo; ou o que podíamos ter pensado muito mais tarde se não o estivéssemos agora a ler; ou o que provavelmente podíamos ter sido levados a pensar mas não teríamos pensado se não o tivéssemos lido; ou o que podíamos ter gostado de pensar mas nunca teríamos podido pensar se não o tivéssemos lido.»

    Lydia Davies – The collected Stories

  2. José Mário Silva on Outubro 3rd, 2010 22:27

    Nem mais, Paulo, nem mais. Esse texto ilustra muito bem o que sinto sempre que leio um texto da Lydia Davis. Onde está «certo pensador», pode ler-se «certa escritora».
    :)

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges