Trocar os Maias pela Meyer


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Esta é provavelmente a campanha promocional mais absurda e abstrusa que uma livraria alguma vez levou a cabo em Portugal. Troque uma obra-prima da literatura portuguesa, um clássico maior das nossas letras, pelo lixo vampiresco de uma best-seller americana de 17.ª categoria. Eis o que sugere a FNAC, outrora uma loja onde se podia encontrar uma escolha criteriosa de boa literatura (ainda me lembro das generosas bancadas de poesia), hoje reduzida a uma espécie de fast-food cultural.
Nas redes sociais, a campanha absurda e abstrusa foi rapidamente fustigada (e muito bem), com muitas pessoas a sugerirem outro tipo de troca: a da FNAC por uma das boas livrarias independentes (enquanto não fecham). Acontece que parte desses protestos desapareceu de ontem para hoje, como por magia. Muitas das partilhas críticas da fotografia que ilustra este post foram simplesmente removidas do Facebook. Deve haver uma razão técnica para este apagão das críticas à FNAC. É bom que haja e que seja explicada rapidamente. Caso contrário, estamos diante de um movimento de censura que nos obrigará não só a trocar a FNAC por livrarias decentes (o que no meu caso já acontece há muito tempo) mas também a trocar o Facebook por redes sociais em que apagões destes não sejam possíveis.



Comentários

5 Responses to “Trocar os Maias pela Meyer”

  1. margarida f. on Janeiro 30th, 2012 12:20

    O que acontece é que a fonte da maior parte das partilhas, apagou a foto. Se fizeres o upload de uma foto e, depois, a apagares, ela desaparece de todos os murais do que a partilharam. Não me recordo (nem o Pedro Vieira), de quem era a foto mais partilhada. Mas a questão é que faz parte do código de conduta implícito do FB não apagares um post que tem várias partilhas e comentários. Não deixa de ser uma espécie de censura. E utilização das pessoas: vocês, leitores e “amigos”, interessam-me enquanto partilharem aquilo que me interessa a mim, depois disso, tiro-vos o tapete e deixo-vos a fazer figura de parvos.
    O que é mais triste é que a campanha até é interessante. Esse exemplar dos Maias, por exemplo, será doado à AMI. Entregas um exemplar usado e recebes um vale de 5 euros para comprar uma novidade. O exemplar usado é doado à AMI.

  2. margarida f. on Janeiro 30th, 2012 12:27

    Portanto, é como se houvesse uma censura “comercial”, como já vi alguém dizer no FB. Pena é que não tenha havido autocensura.

  3. pedro on Janeiro 30th, 2012 13:05

    Uma agulha no palheiro: outrora cliente assíduo, raramente compro livros ou filmes ou música na fnac. Prefiro pequenas livrarias (a bela Pátio de Letras em Faro) criteriosas na sua selecção de livros, com descontos e promoções (não tantos como a Fnac, é impossível) e, caso não haja o título que procuro, uma inteira disponibilidade para encomendar.

    Por esta razão, campanhas como Maias – Meyers não me surpreendem.

    Aliás, basta ir às livrarias das editoras (lembro-me agora da A&A no Chiado) e percebe-se um pouco a lógica comercial da Fnac: queremos um exemplar de livro tal, agora queremos devolver, agora ganhou um prémio por isso queremos dez livros e, em última instância, optam sempre pelas vampirices.

    Abraço,
    pedro

  4. O efeito Streisand segundo a FNAC | Bibliotecário de Babel on Janeiro 30th, 2012 13:46

    […] Trocar os Maias pela Meyer […]

  5. JESanto on Janeiro 30th, 2012 15:31

    Comentei o post que fazia link para este artigo no FB. Depois recebi notificações no FB de que mais pessoas haviam feito comentários. Não consigo ver nenhum comentário (e o post do FB indica apenas 3 partilhas). Para onde forma os comentários?

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges