Um ano sem o Olímpio

Retrato de Olímpio Ferreira, por Pedro Vieira
(Ilustração de Pedro Vieira)

Não gosto por aí além de efemérides, mas a verdade é que o tempo passa e nós quase que nem damos por isso e de repente são necessárias balizas que nos orientem, pelo menos quando olhamos para trás. Há precisamente um ano, perdemos o Olímpio Ferreira (e cabe muita gente dentro deste plural). A sua ausência, não sei porquê, magoou-me mais do que outras. Foram muitas as vezes em que o recordei, sobretudo ao folhear livros de poesia que ele desenhou com um cuidado tão raro, mas também ao ver certas coisas, ao ouvir certas coisas («o que é que o Olímpio pensaria disto?») e ao descobrir, ia dizer a posteriori (se isso não fosse injusto para os que ficaram), o espaço tão acolhedor da sua casa, cheia de literatura e vida e memórias.
Não gosto por aí além de efemérides, excepto quando elas assinalam datas que não consigo esquecer.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges